Mercer | Tendências e perspectivas para a Previdência Complementar em 2018

Tendências e perspectivas para a Previdência Complementar em 2018

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Tendências e perspectivas para a Previdência Complementar em 2018
  • Tendências e perspectivas para a Previdência Complementar em 2018
    Calendar26 Março 2018

    O ano de 2018 começou agitado. Em menos de três meses, importantes acontecimentos políticos, econômicos e normativos já influenciaram, em alguma medida, a gestão dos planos de previdência. “A expectativa é que tenhamos um ano marcado pela volatilidade e dividido em dois: há uma primeira agenda, mais clara, anterior às Eleições e outra, até agora muito incerta, para depois de outubro” – disse Antônio Gazzoni, Diretor da Mercer, ao dar início à mesa redonda realizada no último dia 06 de março no Rio de Janeiro, que teve como objetivo discutir as tendências e perspectivas para a previdência complementar.

    O debate, conduzido por especialistas da Mercer com a participação de gestores de entidades e de empresas patrocinadoras, focou em três áreas principais: Implicações do Cenário político e econômico para a Previdência; Riscos; e Visão de mercado e perspectivas para o futuro. A seguir, resumimos os principais temas e impactos levantados pelos presentes.

    1.       Implicações do Cenário político e econômico para a Previdência

    Em exposição inicial, Gazzoni teceu um panorama das principais variáveis políticas para o setor, com destaque para a expectativa em torno de temas em discussão no Conselho Nacional de Previdência Complementar – CNPC e para uma análise sobre o atual modelo de previdência complementar brasileiro, com questionamentos sobre sua adequação estrutural. Em sequência, Raphael Santoro, Diretor de Investimentos da Mercer, explicou as razões econômicas pelas quais se acredita que o patamar de juros real para os próximos anos já não será mais aquele que historicamente se utilizou, de 6% ao ano. Mesmo com volatilidades no caminho, espera-se uma taxa mais próxima a 5% ou mesmo a 4%, afirmou Raphael.

    No debate, os participantes da mesa redonda centraram foco em dois temas principais: diferenças entre a previdência complementar fechada e aberta – e expectativas em relação à possível mescla dos dois sistemas, em algum momento futuro; e ações cautelares que os gestores devem tomar para estar melhor preparados para o novo patamar de juros real no Brasil. Sob o primeiro aspecto, viu-se consenso entre os presentes que ambos sistemas, fechado e aberto, possuem vantagens e desvantagens, e que é possível buscar melhorias para a poupança previdenciária do brasileiro com base nos aprendizados obtidos com a estrutura existente. Quanto à queda de juros, uma das maiores preocupações dos presentes esteve no risco de reinvestimento e ausência de alternativas no mercado Brasileiro, levando à necessidade de analisar opções no mercado externo para hedge, onde é possível encontrar ativos com boa correlação com os passivos dos planos e baixa correlação com mercado local. Para os planos que possuem perfis de investimento, espera-se um aumento na procura por perfis mais agressivos a medida que as rentabilidades diminuírem em função da queda nas taxas de juros.

    2.       Riscos

    A partir de um abrangente “radar” de riscos, Jorge João Sobrinho, Consultor Sênior da Mercer, e Santoro forneceram aos presentes uma visão geral dos principais fatores que podem sensibilizar a gestão dos planos de previdência, para bem ou para mal – pois, como lembrou Sobrinho, riscos podem representar ameaças ou oportunidades, a depender da posição em que se encontra a entidade.  Dentre estes, alguns temas atraíram maior interesse dos presentes:

    • Riscos vinculados à inadimplência, especialmente os respectivos impactos em caso de planos de equacionamento de déficit;
    • No âmbito da governança, algumas entidades destacaram que a pressão por custos e a necessidade de padrões elevados de gestão têm levado à criação de centros de serviços regionais e/ou por área de negócio. Debateu-se, também, as implicações relativas à recente Instrução Previc nº 15/17, que apresenta medidas prudenciais que  o órgão fiscalizador do sistema pode tomar em situações excepcionais;
    • Tratou-se, também, de tendências de longo prazo para o mercado de previdência complementar. Dentre elas, o risco que as Fintechs representam ao segmento; o risco de que participantes, quando assim legalmente permitido, efetuem resgates inapropriados ao não possuírem educação financeira suficiente para gerir seus recursos; e, por decorrência, a oportunidade de aproveitar as novas tecnologias para se investir em planos cada vez mais automáticos, que ajudem as pessoas a decidir seus futuros financeiros apropriadamente.

    3.       Visão de mercado e perspectivas para o futuro

    Encerrando a manhã de debates, Ana Márcia Carvalho e Caroline Zettel, Consultoras da Mercer, apresentaram um amplo painel com as principais conclusões da pesquisa Saudável, Próspero e Produtivo, lançada mundialmente pela Mercer no início de 2018 no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. No estudo, 86% dos respondentes se disseram estressados com sua situação financeira atual e apenas 30% indicaram possuir recursos suficientes para a aposentadoria, mostrando quão alarmante é o nível de preparo das pessoas para o futuro. Mais grave ainda é identificar as diferenças entre gêneros e gerações, claramente demonstradas na pesquisa.

    No debate, os presentes demonstraram grande preocupação com a gestão da comunicação para participantes, especialmente em função dos diferentes perfis de indivíduos que compõem os planos de previdência. Constatou-se que a decisão de previdência não é racional e que precisamos gerenciar as emoções das pessoas para ter sucesso na comunicação. Uma exposição realista, demonstrando que a previdência não é produto de investimento e sim elemento chave na gestão do longo prazo, também é abordagem acertada, segundo os participantes do debate. Acima de tudo, é preciso, de início, conhecer bem a população-alvo e suas preferências.

    Falou-se também sobre o papel das entidades de previdência complementar na educação financeira e na preparação para aposentadoria. Caberia a estes o papel de consultor financeiro de seu público? Ou, em outra abordagem, o que se espera é que as entidades viabilizem meios e ferramentas para que o público tenha acesso à consultoria financeira, para planejar a preservação de renda e o uso de seu patrimônio de forma mais adequada?

    Vê-se, com o debate, que a agenda dos gestores de previdência complementar está repleta de temas atuais, relevantes e com grande poder de impacto para o resultado nos próximos anos. Felipe Bruno, Diretor de Previdência da Mercer, frisou aos presentes que é intenção da Mercer promover o debate amplo e transparente em busca de melhores práticas para o setor, e que os resultados da mesa redonda alimentarão as próximas discussões públicas que a empresa deve promover em âmbito nacional.

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