Seleção de investimentos em momento crise: problema ou solução?

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Seleção de investimentos em momento de crise: problema ou solução?
Calendar05 Dezembro 2017

Independentemente do veículo financeiro que viabiliza o programa de previdência de uma empresa - Entidade Aberta (Plano Gerador de Benefícios Livre – PGBL) ou Entidade Fechada (Fundos de Pensão Próprio ou Multipatrocinado) -, a opção dada ao participante para selecionar a forma com que os seus investimentos serão aplicados no mercado financeiro é cada vez mais comum.

Usualmente, o veículo financeiro oferece um modelo simples, no qual o participante opta por três fundos de investimentos - Conservador, Moderado e Agressivo - e seleciona aquele que recepcionará apenas os recursos que o mesmo tenha aportado. O saldo das contribuições da empresa costuma ser investido com base na política definida pela própria empresa, que seleciona o fundo mais alinhado aos objetivos de RH.

Até aí, não temos nenhuma grande novidade. Com a maior divulgação e melhor entendimento do conceito de previdência complementar pela sociedade brasileira, o Multiportifólio é algo que não causa grandes surpresas aos empregados.

Por outro lado, a forte crise econômica dos últimos anos tem apresentado resultados um pouco preocupantes. Por exemplo, um número importante de Fundos de Pensão próprios manteve os seus portfólios muito conservadores e acabaram não usufruindo os bons resultados da Bolsa de Valores Brasileiros em 2017. Talvez uma explicação mais simplista seja de que, mesmo com consistentes sinais de melhora no horizonte mundial, os indivíduos e as empresas continuam incertos sobre o futuro.

E os participantes dos planos de previdência corporativos?  Vários Clientes que atendemos têm reportado que, independentemente do Veículo Financeiro, o Participante, em sua grande maioria, continua fazendo opções de seus investimentos sem um entendimento abrangente dos “riscos” envolvidos e eventuais impactos sobre o retorno dos seus investimentos. Isto acaba resultando em opções “efeito de manada” quando o participante opta por investir ou “desinvestir” com base em um comportamento do grupo ou mesmo de informações disponíveis na mídia.

Acreditamos fortemente que o Multiportifólio é uma ferramenta totalmente integrada ao modelo de contribuição definida, que, como sabemos, é o mais utilizado pelo mercado nos desenhos dos programas de previdência em nosso país.

Conceitualmente, o plano de contribuição definida é aquele em que o participante assume a responsabilidade pessoal pelo acúmulo de seu patrimônio previdenciário.

A crise, porém, expõe alguns problemas que não foram totalmente percebidos pelas empresas. Um deles é que, dependendo do Veículo Financeiro, quando são desenhados os fundos de investimentos ou opções, os papéis que os compõem não levam em consideração nem a maturidade da população, nem a expectativa de pagamentos futuros de benefícios.

Outro problema é que informações básicas não são o bastante para o participante fazer a correta seleção do fundo de investimentos adequado ao apetite ao risco de cada um. É fundamental, nesse caso, que a empresa invista de forma efetiva na educação financeira, pois a “memória inflacionária” ou uma visão de curto prazo ainda é presente em grande  parte da população.

Outra variável importante que não foi totalmente avaliada pelos veículos financeiros e os gestores de recursos é a queda da taxa de juros real implicará em uma menor rentabilidade para os investimentos alocados em Renda Fixa. Isto resultará em uma busca por novas categorias de investimentos ou, simplesmente, uma migração dos investimentos para a Renda Variável? E, nesse contexto, como os veículos financeiros de previdência têm reagido?

Ainda de forma tímida, a nosso ver. Em um momento de crise, convencer a empresa a investir pesadamente em comunicação ou educação financeira soa um pouco utópico.

Mas é importante reavaliar esta decisão. Em relação à previdência complementar, especialmente o Multiportifólio, todo o investimento em comunicação que a empresa fizer certamente se “pagará” no futuro. A previdência complementar, juntamente com o plano de assistência médica, são os benefícios de maior visibilidade para os empregados.

Em um mercado financeiro concentrado em poucos gestores, poucas opções de investimentos e grande regulamentação por parte do governo, o participante fará conscientemente sua opção se dispuser de informação, conhecimento e ferramentas de forma independente.

Do contrário, o Multiportifólio passa a ser aquela característica do programa de previdência que faz com que o empregado pergunte ao vizinho: “o que você marcou nesta pergunta?”

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