Quatro perspectivas econômicas do Brasil na visão de quatro especialistas

Quatro perspectivas econômicas do Brasil na visão de quatro especialistas

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Quatro perspectivas econômicas do Brasil na visão de quatro especialistas
Calendar10 Setembro 2018

Esse artigo se refere ao Evento Mercer de Previdência Complementar, que realizamos no dia 28 de agosto de 2018.

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Quatro perspectivas econômicas do Brasil na visão de quatro especialistas

 

No primeiro Painel dividido entre quatro expositores, ouvimos e fizemos nossas analises sob a as perspectivas econômicas de importantes economistas e debatedores para o mercado brasileiro de taxa de juros, bolsa e câmbio, considerando o que avançamos no Brasil até aqui e o que esperar em diferentes cenários para a economia brasileira.

Indicadores econômicos e sociais no Brasil

Na primeira exposição realizada pela Ana Carla Abraão, Market Leader da Oliver Wyman empresa de consultoria de gestão (estratégia, economia e empresas) traça um paralelo da evolução de indicadores econômicos e sociais no Brasil, onde demonstrou a passagem de várias transformações nas últimas duas décadas.

Evoluímos nos indicadores sociais como a redução da pobreza, mas que também e mundialmente houve uma diminuição da pobreza que entende como um fenômeno mundial. O Brasil retirou 17 milhões de pessoas da pobreza extrema, que passou de 16,5% para 4,3% entre 1994 e 2015, os países Emergentes retiraram 30% da população da pobreza extrema desde 1997 e hoje têm 3,4%da população nesta situação. Lideramos os ganhos de distribuição de renda, mas permanecemos entre os mais desiguais dentre emergentes e América Latina e Caribe.

No crescimento econômico, seguimos a tendência internacional até 2011, depois deixamos de acompanhar os demais países e ficamos para trás. Outro ponto colocado é de que a baixa produtividade é um dos principais fatores para o fraco crescimento. Nenhum ganho de produtividade foi observado nos últimos 20 anos e estamos hoje abaixo da região.

Tendo concluído o paralelo:

  • Avançamos nas duas últimas décadas em diversos indicadores sociais, melhoramos nossa distribuição de renda e retirarmos milhões de pessoas da miséria, no entanto, nosso desempenho foi aquém dos demais países emergentes;
  • Crescemos, mas não tanto quanto os emergentes e os países da América Latina se mantivermos no futuro uma taxa de crescimento igual à nossa média das últimas duas décadas, levaremos um pouco mais de 1 século para alcançar o nível de 2016 da renda per capita atual dos Estados Unidos e 38 anos para chegar ao do Chile;
  • Nossa economia apresenta baixa produtividade decorrente de piores indicadores nos principais pilares de crescimento, aliado a esses fatores, a população está envelhecendo rapidamente, aumentando a necessidade de discutir reformas estruturais que garantam o equilíbrio das contas públicas e permitam um ambiente favorável ao crescimento sustentável de longo prazo, para aumentarmos a produtividade da economia brasileira e avançarmos na direção de um país menos desigual. Precisamos buscar um caminho diferente daquele que trilhamos até aqui.

Os Desafios do próximo governo brasileiro

João Scandiuzzi, Estrategista de Investimentos da BTG Pactual Asset Management, incumbido de trazer a expectativa dos Desafios do próximo governo brasileiro: Perspectiva internacional e histórica.

A depreciação das moedas contra o USD desde Dez-2017 vem prejudicando o Brasil em especial no contexto internacional penalizando países frágeis. Embora o Brasil esteja em uma situação confortável em relação às contas externas, o que o torna pouco vulnerável nas contas externas em face de possuirmos um investimento externo elevado e saldo de conta corrente negativo não significante, bem como dívida externa total 32% do PIB e em curo prazo em 2,9% do PIB baixo.

Nossas reservas são suficientes para arcar com cerca de 2,5 anos de financiamento externo. Mas temos indicativo grave em relação à dívida pública, cerca de 81% do PIB e resultado nominal do setor público em -7,3% do PIB. Entramos num período eleitoral tendo um histórico passado, em que ainda não curamos as feridas da recessão 2014-16.

Perspectivas do mercado de juros, câmbio e bolsa.

Marcelo Giufrida, CEO da Garde Asset Management, nos trouxe suas perspectivas do mercado de juros, câmbio e bolsa. A taxa de juros de equilíbrio é de 6.5%, conforme a regra de Taylor há um elevado prêmio na parte longa da curva de juros. As taxas de juros pré-fixadas longas estão acima do padrão histórico, no entanto diante de um cenário de stress podem aumentar ainda mais.Assim como nas taxas nominais de juros, as taxas reais também se mostram demasiadamente elevadas.

A valorização do dólar é condizente com a abertura da taxa de juros norte americana e a incerteza do cenário político brasileiro, mesmo em um cenário eleitoral favorável, a taxa de câmbio deve permanecer em um patamar elevado. Houve correção importante no nível da bolsa, porém avaliações (ERP) ainda não indicam que a bolsa está barata.

O Mundo no Médio Prazo

Na exposição de José Pena, Economista Chefe da Porto Seguro Investimentos, expos uma expectativa para “O Mundo no Médio Prazo” em que entende que será um mix de Larry Summers, Robert Gordon e Reinhart/Rogoff, em que teremos (i) menor crescimento, (ii) maior envelhecimento/longevidade e (iii) maior concentração de renda que reduzem a demanda por investimento vis-à-vis poupança e por consequência menor taxas de juros, ou seja, teremos anos de juros baixos.

A “nova economia” é menos intensiva em volume do que em capital humano, mas neste caso, a quantidade de “cérebros”, e não “braços”, é que faz a diferença e que incentiva a concentração da renda, a “nova economia” é de mais serviços e menos bens – menos intensiva em “materials” (commodities) tendo um menor valor médio dos projetos de investimento, e por fim há ainda uma redução do ritmo de expansão do comércio mundial (para além do aumento do protecionismo). EM RESUMO: juro global sai do zero, mas espaço de alta é bastante limitado.

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