Mercer | O novo modelo de acúmulo de riquezas e de geração de renda na aposentadoria – Resumo Técnico do VI EGPC

O novo modelo de acúmulo de riquezas e de geração de renda na aposentadoria – Resumo Técnico do VI EGPC

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O novo modelo de acúmulo de riquezas e de geração de renda na aposentadoria – Resumo Técnico do VI EGPC
O novo modelo de acúmulo de riquezas e de geração de renda na aposentadoria
Calendar31 Outubro 2016

Vivemos um cenário dinâmico de transformação. Revolução tecnológica, facilidade de acesso à informação, revisão do arcabouço regulatório vigente e a reforma da previdência social, são exemplos de assuntos frequentes, que nos impulsionam para rever os atuais modelos adotados para a previdência complementar.

Com o objetivo de discorrer sobre como os fundos de pensão devem se preparar para assegurar o pagamento dos benefícios programados nos planos de benefícios já existentes e quais soluções, produtos e modelos de gestão podem ser adotadas para o futuro, a Mercer GAMA realizou na última quarta-feira, 26 de outubro, a sexta edição do EGPC – Evento Mercer GAMA de Previdência Complementar.

O novo modelo de acúmulo de riquezas e de geração de renda na aposentadoria” foi o tema central do evento, que contou com a participação de autoridades governamentais, gestores e técnicos de fundos de pensão, representantes de empresas de consultoria e auditoria, seguradoras e resseguradoras para o enriquecimento das discussões.

Na abertura do evento, Antônio Fernando Gazzoni, diretor da Mercer responsável pela Mercer GAMA, deu a tônica do debate: “Vivemos um cenário de transformações em questões políticas, econômicas e sociais, mudanças estruturais e inexoráveis.” Ainda, afirmou que, para assegurar o cumprimento dos benefícios prometidos e os da próxima geração, demanda-se um novo modelo que assegure a carreira, riqueza e saúde das pessoas. Após as considerações iniciais, as apresentações e debates foram organizados em três painéis temáticos, os quais são detalhados a seguir:

1° painel – O novo modelo de acúmulo e de geração de renda para a carreira, saúde e riqueza das pessoas.

A primeira exposição do dia ficou por conta do convidado internacional Tom Murphy, US DC & Financial Wellness Leader da Mercer em Massachusetts, EUA. Com base em números do mercado dos Estados Unidos, demonstrou a transição de planos BD para planos CD do tipo corporativo, e mais recentemente o crescimento das IRA’s (Individual Retirement Accounts), de caráter individual.

Na sequência, abordou a transferência de risco para as seguradoras, que aumentou significativamente desde 2012, com perspectiva de crescimento para os próximos anos. Ainda, apresentou algumas tendências esperadas para o mercado de previdência, com enfoque em soluções CD, que incluem a simplificação dos investimentos, maior transparência, arquitetura aberta e ainda alguns mecanismos para maior engajamento dos participantes, como a adesão automática e o reajuste automático das contribuições (auto escalation).

Num terceiro momento da palestra, Tom Murphy trouxe à tona a questão do “Bem-Estar Financeiro”, afirmando que os empregadores e governo podem contribuir para o sucesso financeiro das pessoas. Como perspectivas de soluções para as futuras gerações, foram citados os exemplos dos robo-advisers e soluções de fin tech.

Aberto o debate com o público presente, a discussão se deu sobre a efetividade dos novos modelos em oferecerem uma cobertura previdenciária adequada, bem como o repasse dos riscos dos planos de benefício para os seus participantes. Para Tom Murphy, ainda não foram totalmente percebidos os efeitos da transição de um panorama de planos BD para os planos CD, e é muito difícil fazer com que as pessoas planejem as suas aposentadorias. Como medidas de fomento eficazes, estão a adesão automática e a personalização das soluções oferecidas. Ainda, segundo ele, as novas soluções devem auxiliar os participantes a terem condições de lidar com os riscos aos quais estão expostas.

2° painel – Transformações em curso e seus reflexos na previdência complementar brasileira.

José Ribeiro Pena Neto, Presidente da Abrapp, mediou o segundo painel, e reforçou a necessidade de adequação do sistema às mudanças regulatórias e tecnológicas, reforçando que o tema “interessa inclusive aos que ainda não nasceram”.

Na sequência, Marcelo Abi-Ramia Caetano, Secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, explanou sobre as propostas de reforma da Previdência Social, impulsionadas pela necessidade de se ter sustentabilidade, isto é, de se “assumir promessas factíveis, que tenhamos condições de cumprir”. Segundo ele, não realizar a reforma implica não ter previdência sustentável.

Sobre a previdência complementar, o Secretário deu destaque às mudanças ocorridas nas aposentadorias dos servidores públicos. Ainda, reforçou a visão do pilar “não como substituto do pilar social, mas como complemento”, e antecipou que num futuro próximo devem ganhar maior destaque na pauta das discussões do CNPC as questões das submassas e de transferência de gerenciamento.

Guilherme Abbud, Superintendente de Renda Fixa e Multimercados da BRAM – Bradesco Asset Management, deu sequência ao painel, expondo a sua visão sobre as expectativas dos retornos dos ativos nos próximos anos. Segundo ele, é possível enxergar uma tendência de normalização das taxas de juros. O caminho natural, afirmou, é de que elas voltem a patamares mais baixos do que os atuais, ainda que maiores do que as praticadas na maioria dos demais países.

O palestrante destacou a necessidade de se renovar a maneira como construímos os portfólios atualmente, migrando de carteiras com foco majoritário em títulos “atrelados ao CDI”, para categorias mais ligadas a crédito e bolsa de valores. Corroborando a sua fala, mencionou o efeito compensatório entre os bonds e equities observado em outros países, e afirmou que mesmo em tempos de agitação na economia, um portfólio balanceado tem condições de obter bons retornos.

Questionado sobre a disposição dos fundos de pensão em adotar diferentes estratégias de investimento, Abbud apontou a dificuldade do mercado em se olhar além da volatilidade dos retornos no curto prazo, e afirmou que é necessário acertar a relação entre duration, exposição à renda variável e rebalanceamento do portfolio.

3° painel – O fundo de pensão do amanhã e a construção de novos caminhos.

O terceiro painel trouxe as visões institucionais sobre os assuntos abordados. Segundo o mediador Mario di Croce, do IRB Brasil-RE, a sinergia deve ocorrer entre as indústrias de seguros e previdência, e é por meio da união destas que se conseguirá a mitigação dos riscos hoje enfrentados.

Edevaldo Fernandes, Diretor Presidente da Fundação Libertas, abordou em sua fala a necessidade de se transformar o ambiente em que estão inseridos os fundos de pensão. Segundo a sua visão, há de se entender as complexidades do sistema, tais como: os diferentes perfis dos atores, as modelagens e questões de cunho técnico, a precificação do ativo e do passivo e a dicotomia dos investimentos.

Como objetivos a serem perseguidos pelas EFPC, Edevaldo destacou a busca por flexibilidade no uso dos recursos e redução dos custos, de modo a atender os anseios das novas gerações. No mesmo contexto, enfatizou a necessidade da aplicação da Tecnologia da Informação como aliada das operações e da gestão das entidades. Ainda, dada a concretude dos desafios, finalizou sua fala afirmando que o sucesso frente aos novos desafios depende das ações a serem tomadas hoje. “É preciso juntar pessoas, organizar-se, planejar e aplicar o planejamento. Sem todos, não teremos êxito. Com todos, será penoso, mas teremos êxito”, concluiu Edevaldo.

Na sequência, Carlos de Paula, Diretor da SUSEP, mencionou avanços significativos ocorridos no sistema nos últimos anos, e afirmou que a atual conjuntura pode ser vista como oportunidade para gerar novos produtos que reflitam a nova realidade do país. Como aspectos necessários ao cenário futuro, destacou a velocidade, a transparência e a portabilidade. Ainda, afirmou que “a cobertura previdenciária tem que integrar a sociedade e, como agente econômico, independentemente da finalidade econômica, fazer a diferença na vida das pessoas”.

Helena Venceslau, Diretora de Supervisão de Conduta da SUSEP, apresentou números do mercado segurador, e destacou o crescimento do mercado dos produtos VGBL, que segundo sua visão, é reflexo dos avanços em educação financeira. Ainda, trouxe à discussão o advento da Resolução CNPC 17/2015 e citou que está em elaboração uma nova norma, com o objetivo de atender aos anseios dos fundos de pensão por novos produtos, cuja minuta deve ser disponibilizada para consulta pública nas próximas semanas.

Finalizando as exposições do dia, Esdras Esnarriaga, Diretor-Superintendente Substituto da Previc, compartilhou com os presentes algumas visões de futuro para as Entidades, para o ente regulador e para os demais agentes do mercado. Segundo o palestrante, as demandas para o sistema de previdência do futuro englobam maior segurança, individualidade e comparabilidade.

Como visões do órgão fiscalizador, estão uma fiscalização permanente e transparente, e um regramento direcionador, mais distante da análise de conformidade e mais voltado à orientação dos diversos atores. Reforçou, por fim, que a necessidade de mudança requer ação imediata, caso contrário as mesmas discussões continuarão presentes nos próximos 15 ou 20 anos.

Debate contínuo

A partir do conteúdo exposto e debatido, reforça-se a necessidade de se mobilizar todos os atores do mercado. O cenário atual, de mudança regulatória e tecnológica, representa uma ruptura no panorama previdenciário, de modo que as ideias apresentadas requerem implementação prática por meio da ação conjunta do governo, de dirigentes e técnicos em busca de maior eficiência e inovação.

Com o intuito de manter aceso o debate e o compartilhamento de informações, dividimos com vocês as apresentações usadas pelos palestrantes:

Acesse as apresentações NESTE LINK.

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Por: Lucas Pinheiro

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