Informativo de Investimentos - Outubro 2018

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Informativo de investimentos Mercer - Outubro 2018
Informativo de investimentos Mercer - Outubro 2018
Calendar21 Novembro 2018

Economia Internacional

No cenário externo, o panorama é a) economias desenvolvidas relativamente melhores que as emergentes; b) introdução de estímulos fiscais em um momento em que a economia americana se encontra em pleno emprego, o que aumenta a pressão inflacionária; c) possibilidade de um aperto monetário mais incisivo pelo FED, que é um risco relevante para as economias emergentes; e d) movimentos mais fortes de guerra comercial, que é outro risco importante para a economia global, sobretudo para as economias emergentes.

Situação dos EUA

Nos EUA, a economia americana segue crescendo a um ritmo forte, entretanto, o mercado de trabalho segue cada vez mais apertado. Há especulações se este ciclo de crescimento estaria chegando ao fim. O aumento dos níveis de endividamento corporativo, o aumento dos juros pelo Fed e os riscos oriundos da guerra comercial são fatores que preocupam. Em contrapartida, o desemprego está próximo à sua mínima histórica, os salários continuam praticamente estáveis, a taxa de poupança das famílias segue em nível elevado para padrões americanos e há expansão fiscal programada para os próximos trimestres, o que compensaria, ao menos parcialmente, o aperto monetário.

Em suma, o balanço de riscos continua favorável à atividade americana ao longo de 2019 e ao aumento das pressões inflacionárias, o que deve respaldar o Fed a seguir elevando os juros ao ritmo de 25bps por trimestre, apesar da volatilidade recente.

E a China?

Na China, as tarifas sobre o comércio internacional impostas pelos Estados Unidos, somadas a uma menor eficácia das políticas de estímulo via crédito e o ciclo de estoques no setor de tecnologia explicam em boa parte a desaceleração recente.

Novas ameaças de restrições comerciais americanas e uma rodada de números fracos, especialmente nos PMIs, levou o governo chinês a anunciar um novo pacote de medidas expansionistas; I) depreciação cambial; II) novos estímulos, via redução de impostos; e III) novas concessões de crédito com redução dos compulsórios.

Esse movimento abrupto de políticas de estímulo apareceu como surpresa e ressalta que ainda há riscos de novas desacelerações de atividade. A China continua convivendo com o mesmo dilema dos últimos anos, desalavancar a economia e mudar a dinâmica de crescimento para o Consumo em detrimento do investimento.

Situação da Europa

A Zona do Euro sofre com a desaceleração do comércio global, seus dados de atividade permanecem aquém do esperado e possivelmente pode ter a reavaliação de seu programa de estímulos. Além disso, há sérios problemas fiscais e ausência de reformas estruturais, somados a riscos políticos na própria Itália (com o governo populista do movimento 5 estrelas), na Alemanha (com o enfraquecimento da Merkel) e os reflexos do Brexit.

A questão italiana em si é um risco à estabilidade europeia, pois a proposta de déficit fiscal em 2019 é muito acima do sugerido pela Comunidade Europeia.

O aumento do custo de oportunidade global com a crescente taxa de juros americana, tem levado o mercado a ser menos complacente com fragilidades. Entre os emergentes, já vimos este ano a crise da Turquia e da Argentina.

Brasil

No Brasil, o mercado teve boa reação com a eleição de Bolsonaro. Olhando para frente, dado que o mercado já precificou parte da possível melhora do próximo governo, a questão-chave está em avaliar a capacidade de execução da agenda proposta.

Alguns pontos positivos foram anunciados, como a fusão de ministérios ligados à economia mostrando um relevante apoio do presidente para o próximo Ministro da Fazenda, Paulo Guedes, a intenção de aprovar a independência formal do Banco Central e a nomeação do Juiz Sérgio Moro com foco no combate à corrupção. Porém, ainda há dúvidas sobre o grau da crença reformista do próprio Presidente. Por exemplo, a falta de clareza sobre as diretrizes básicas da proposta da reforma da previdência a ser apresentada é um ponto grave. E dado o complexo cenário global, é necessário que os principais pontos sejam conhecidos em breve para que as fragilidades macroeconômicas atuais do Brasil não corroam as expectativas positivas com o próximo governo.

Os desafios no plano político decorrem do duplo mandato implícito da vitória de Bolsonaro: 1) inaugurar uma nova forma de fazer política; e 2) aprovar as reformas econômicas estruturais.

Assim, o primeiro item da agenda do novo presidente deve ser a reforma da Previdência, essencial para o controle de gastos e, portanto, para a redução do risco relacionado à solvência das contas públicas. O retorno do resultado primário ao lado positivo é ainda algo bastante desafiador. Considerando crescimento médio de 2,4% nos próximos quatro anos, revisão importante da regra do salário mínimo e receitas extraordinárias (com concessões/privatizações) na casa de R$ 13 bilhões ao ano, o resultado primário ainda é negativo em 2022 (cerca de 0,4% do PIB), o que leva a dívida pública ao patamar de 85% do PIB.

Tal movimento é mais do que simplesmente uma preferência, a responsabilidade macroeconômica será condição para a sobrevivência política do próximo mandato. Deve-se produzir senso de urgência sobre o andamento da agenda de reformas, em especial a da Previdência. A leitura é de que a “onda Bolsonaro” produzirá uma janela de oportunidade para o tratamento da questão fiscal.

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