Informativo de investimentos - Mercer - Março 2018

Informativo de investimentos - Mercer - Março 2018

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Informativo de investimentos - Mercer - Março 2018
  • Informativo de investimentos - Mercer - Março 2018
    Calendar20 Abril 2018

    O mês de março foi caracterizado por uma maior preocupação com o ambiente externo. Tivemos a continuidade dos processos de normalização da política monetária nos países desenvolvidos, especialmente nos EUA, e um aumento das tensões com a possibilidade de guerras comerciais entre os EUA e seus principais parceiros. Na Europa, os dados de inflação vieram baixos junto com os indicadores de atividade, o que torna mais difícil a tarefa do Banco Central Europeu em normalizar a política monetária. Finalmente, no Brasil, o Banco Central surpreendeu em seu comunicado, dando a entender a continuidade do ciclo de cortes de taxas de juros, levando a taxa Selic a, pelo menos, 6,25% já na próxima reunião.

    Nos Estados Unidos, o Banco Central americano decidiu elevar as taxas de juros básicas mais uma vez em 0,25%, atingindo a faixa 1,75% a.a., movimento amplamente esperado pelo mercado. Segundo o comunicado e a ata da reunião, o plano do Fed continua sendo mais dois aumentos de juros este ano, podendo ser até três a depender dos dados. Esse movimento vem acompanhado de uma melhora no cenário de crescimento, que foi revisado para 2,7% em 2018 e 2,4% ano que vem. Assim como a taxa de desemprego recuou ainda mais nos anos seguintes.

    Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa principal de juros em zero e a taxa de depósito negativa em 0,4% a.a.. Já a taxa de empréstimos segue em 0,25% a.a.. Nessa mesma linha, o programa de compra de títulos foi mantido em 30 milhões de euros até setembro. No entanto, houve uma surpresa no comunicado, o qual contou com a retirada da menção sobre a ‘possibilidade de aumento do atual programa de compras de títulos, caso o cenário piore’. De acordo com o presidente do BCE, Mário Draghi, o quadro de melhora da atividade na região justifica a alteração no comunicado, mas frisou que mudanças efetivas na condução da política monetária dependerão da evolução da inflação, o que exige cautela.

    Na China, os dados de atividade surpreenderam para cima, em um período notoriamente mais conturbado por conta de feriados entre janeiro e fevereiro. Porém, a performance em 2018, têm sido mais fraca do que no mesmo período de 2017 e os riscos de uma nova rodada de desacelerações permanecem altas. Os principais motivos são a intenção do governo em implementar reformas monetárias e de crédito ao longo do ano, aumento da regulação bancária e os potenciais impactos de aumentos de tarifas comerciais nos EUA. A meta de crescimento do ano permanece em 6,5% e deverá ser alcançada, mas será importante monitorar os próximos meses para entender como a economia se comportará a esses diferentes choques e influências. Lembrando que a China representa o maior parceiro comercial do Brasil e da América Latina.

    No Brasil, o Banco Central (BCB) cortou os juros em 25 pontos base, levando a taxa Selic para 6,50% a.a., de acordo com o esperado. A surpresa ficou por conta do comunicado emitido após a reunião, o BCB deixou em aberto a possibilidade de um corte adicional na próxima reunião em maio – esperado pelo mercado novamente uma redução de 25 p.b. e mantendo-se nesse patamar até o fim deste ano -, o conteúdo do documento corrobora com as expectativas de inflação do mercado que continuaram sendo revisadas levemente para baixo. Segundo o BC, os riscos para esse cenário continuam sendo pautados pela possibilidade de frustração das reformas, assim como pela reversão do ambiente externo favorável aos países emergentes.

    Apesar do crescimento global robusto dos últimos trimestres, a perspectiva em relação ao cenário econômico atual parece incerta e delicada dado o recente aumento da tensão comercial entre os Estados Unidos e a China, cenário em que os ativos devem ter um maior prêmio de risco.

    Ainda não está claro se a taxação do aço é o primeiro passo de uma série de restrições ao comércio internacional, com retaliações de outros países. Considerando os objetivos do governo americano com esta estratégia, podemos esperar novas medidas. Em geral, o cenário internacional é de riscos crescentes, com a normalização das políticas monetárias dos países desenvolvidos em meio a discussões sobre restrições tarifárias e potencial retrocesso do comércio global. As incertezas políticas também vêm aumentando, com a proximidade das eleições no Congresso americano, presidenciais no Brasil, entre outros países da região. Nesse ambiente, o Brasil convive com crescimento em ritmo ainda lento e inflação baixa, permitindo ao BCB flexibilizar mais a política monetária. O ambiente benigno atual parece mais perto do fim, mas as consequências permanecem incertas.

    Economia Internacional

    Nos Estados Unidos, a inflação mais uma vez mostrou sinais de recuperação e sustentabilidade. Em fevereiro, enquanto a inflação subjacente se manteve em 1,8% na comparação anual, a inflação cheia confirmou as expectativas do mercado e avançou para 2,2% após registrar 2,1% em janeiro. Pelo lado da atividade, a revisão final para o crescimento do PIB do quarto trimestre de 2017 indicou expansão de 2,9% na comparação trimestral com a taxa anualizada, número que surpreendeu positivamente o mercado, que estimava avanço de 2,7% e também mostrou aceleração em relação à prévia de 2,5%.

    Em razão dos bons números apresentados pela economia, o Fed, em sua reunião de política monetária de março, aumentou em 0.25 p.p. a taxa de juros básica da economia norte-americana. O banco central americano continuou a sinalizar sobre a possibilidade de acelerar o ciclo de alta de juros. O Fed mostrou a possibilidade de 3 altas de juros em 2018 e a sobre às perspectivas para 2019, que refletiam 2 altas foram revisadas para 3. Na reunião, também foram atualizadas as expectativas dos membros do FOMC para a taxa de juros dos próximos anos, além de projeções para crescimento e inflação. Além do aumento das projeções do PIB de 2018 e 2019, que foram para 2,7% e 2,4%, respectivamente, o Fed também aumentou sua projeção de inflação de 2019 para 2,1%. Apesar disso, o Fed se mostrou mais confiante em relação ao estado geral da economia.

    Na questão comercial, o governo Trump anunciou medidas de restrição de comércio ao aço e alumínio, assim como aumentos de tarifas contra a China em um montante total de US$60 bilhões. Essas decisões elevaram a preocupação de uma “guerra comercial” em escala global. As principais consequências seriam: (1) uma queda na produtividade, e por consequência, no PIB potencial, dos países que adotarem mais restrições; (2) potencial aumento inflacionário, com aumento transitório da atividade e como resultado dos aumentos de custos tarifários e (3) países emergentes sendo mais afetados, tanto por fatores de aversão à risco e/ou por terem sido os principais beneficiários dos anos de grande fluidez do comércio global.

    Na Zona do Euro, no campo da política monetária, o Banco Central Europeu manteve a taxa de juros inalterada em sua reunião de março. Apesar da manutenção da taxa básica de juros, o Banco Central Europeu promoveu mudanças em sua comunicação, retirando o trecho no qual afirmava estar pronto para aumentar o nível de compra de ativos em caso de deterioração do estado geral da economia europeia. Com isso o BCE sinaliza que o fim do programa de compra de ativos está mais próximo. A entidade monetária europeia, no entanto, manteve setembro como horizonte ideal para promover o fim do programa, com possibilidade de extensão em caso de deterioração das condições econômicas. Após a reunião, o BCE também realizou pequenas alterações em projeções de crescimento e inflação. Enquanto a projeção para crescimento de 2018 avançou de 2.3% para 2.4%, a inflação de 2019 recuou de 1.5% para 1.4%.

    A inflação de março acelerou em relação ao ritmo observado em fevereiro. O índice cheio em março avançou de 1,2% para 1,4% na comparação anual. A inflação subjacente, no entanto, frustrou as expectativas do mercado ao registrar avanço similar ao do mês anterior, de 1.1% na mesma base de comparação. Em relação à atividade, os números da indústria e setor de serviços seguiram mostrando desaceleração em relação ao forte ritmo observado ao longo de 2017. Enquanto o PMI de manufatura frustrou as expectativas do mercado e recuou de 58.6 para 56.6, o PMI de serviços recuou de 57.1 para 55.3. Com isso, o PMI composto saiu de 56.2 em fevereiro para 55.0 em março.

    Na China, o mês de março foi positivo para a atividade econômica. Apesar das vendas no varejo de fevereiro terem apresentado desaceleração na comparação anual (9,7% yoy de 10,0%), o investimento em ativos fixos (7,9% yoy) e a produção industrial (7,2% yoy) mostraram aceleração em relação ao crescimento de janeiro. Além disso, em março, tanto o PMI oficial de manufatura quanto o de serviços mostraram aceleração em relação a leitura de fevereiro. No campo da política monetária, o PBoC promoveu aumento de 0,05% em sua taxa de juros de curto prazo após decisão do Fed de aumentar em 0,25 p.p. a taxa de juros norte-americana. Por último, no cenário político, o governo chinês anunciou reformulação em alguns dos seus cargos chave. Enquanto o presidente Xi Jinping indicou um dos seus principais conselheiros para o cargo de vice-premiê, Yi Gang irá assumir o comando do Banco Central da China (PBoC). A indicação de Yi Gang é vista como uma forma de dar continuidade a política monetária implementada pelo seu antecessor, Zhou Xiaochuan.

    Economia Brasileira

    No mês de março, o pacote das 15 medidas prioritárias anunciado pela equipe econômica em fevereiro ficou estagnado na pauta do Congresso. Enquanto que algumas medidas não foram sequer enviadas para avaliação, como as propostas de autonomia do Banco Central e da Reforma do PIS/Cofins, as medidas que tem impacto fiscal encontram resistência dos deputados. O projeto de Lei da redução da desoneração da folha está em comissão especial na Câmara e o Projeto de Lei da desestatização da Eletrobrás teve a comissão especial instalada na Câmara, mas ainda depende da aprovação no plenário da Câmara e Senado.

    De acordo com o Tesouro Nacional, o saldo primário do Governo Central, que engloba Tesouro, INSS e Banco Central, registrou déficit de R$ 19,3 bilhões em fevereiro. Este resultado foi pior que a nossa expectativa (déficit de R$ 16 bilhões), mas acima do consenso de mercado (déficit de R$ 20,8 bilhões). Com este resultado, em 12 meses, o déficit do governo central recuou para R$ 104,2 bilhões, ou 1,6% do PIB, depois de encerrar janeiro com déficit de R$ 111,2 bilhões. A trajetória do resultado fiscal mostra que o governo não deve encontrar dificuldades para o cumprimento da meta deste ano.

    Como pelo lado fiscal já não ocorriam grandes preocupações para cumprimento da meta do ano, a notícia negativa de março então ficou por conta da constatação de que a atividade iniciou 2018 em ritmo mais fraco do que o esperado.

    Do lado da atividade, a produção industrial (PIM) de janeiro reverteu parte da alta de dezembro, com contração de 2,4% no mês (ante alta de 3,1% em dezembro), o volume de vendas no comércio ampliado (inclui automóveis e material de construção) apresentou recuo de 0,1% na margem. Ao incluirmos a queda de 1,9% no volume de serviços transacionados, o Indicador Mensal de Atividade do Banco Central (IBC-Br) apontou contração de 0,6% na margem, após alta de 1,4% em dezembro.

    Em janeiro, observou-se recuo generalizado dos indicadores relevantes de atividade. Além de a produção industrial cair 2,2%, o volume de serviços recuou 1,9% e as vendas no varejo cederam 0,1% no mês. Assim, o índice IBC-BR de janeiro mostrou queda de 0,6%. Ainda, os primeiros números de fevereiro não foram animadores. A produção industrial frustrou e cresceu somente 0,2%. Pelo lado do mercado de trabalho, o Caged apontou desaceleração da criação de vagas e a taxa de desemprego subiu pelo segundo mês consecutivo com a piora da criação de vagas no mercado informal. Os fracos resultados do início do ano ainda não são suficientes para alterar o cenário de aceleração gradual da economia nos próximos trimestres. Afinal, os fundamentos para o crescimento seguem favoráveis, principalmente para o Consumo, o setor que frustrou no quarto trimestre. Com a melhora do mercado de trabalho, retomada do crédito, inflação bem comportada e desalavancagem do balanço das famílias, o mercado em geral mantêm a expectativa que o maior crescimento em 2018 será liderado pelo Consumo das Famílias. No entanto, o fraco ritmo de crescimento no início de 2018 já leva a revisões de projeções baixistas para o PIB do ano e indica que dificilmente o crescimento do ano ficará muito acima de 3,0%. De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central, as expectativas de crescimento para 2018 passaram de 2,9% para 2,84% entre o final de fevereiro e o final de março. Para 2019, as expectativas permaneceram em 3,0%.

     

    Em março o real se desvalorizou frente ao dólar em 2,4%, e atingiu o ponto mais baixo em relação à moeda norte-americana neste ano. O CDS brasileiro subiu 15 pontos-base no mês, o que pode explicar parte deste movimento. Outro fator que pode estar influenciando o comportamento da moeda, no entanto, é a queda do diferencial de juros Brasil-EUA, trata-se do ponto mais baixo deste diferencial em toda a série histórica recente. Considerando que este movimento de fechamento do spread de taxas de juros ainda está em andamento, e novas surpresas podem acontecer por parte do Copom, a moeda brasileira ainda pode se desvalorizar mais um pouco no curto prazo.

    Por outro lado, o setor externo continua a sustentar o real: conta corrente com déficit muito baixo e reservas internacionais em seus picos históricos. Além disso, a própria queda acentuada dos juros locais atua na direção de diminuir o risco país, ao mesmo tempo em que a curva de juros brasileira ainda oferece oportunidades interessantes para os investidores globais, o que também ajuda a sustentar a moeda. Sendo assim, não vemos uma desvalorização significativa e permanente do real.

    Segundo o relatório FOCUS de 02/04 as medianas de câmbio para 2018 foram mantidas (em R$ 3,30/US$), enquanto a mediana para 2019 foi elevada de R$ 3,39/US$ para R$ 3,40/US$.

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