Informativo de investimentos Mercer - Janeiro 2019

Informativo de investimentos Mercer - Janeiro 2019

Economia Internacional

O desempenho de atividade global se mostrou decepcionante ao longo do ano de 2018, principalmente na Europa. Houve uma mudança de postura do FED em dezembro sobre a política monetária americana a ser adotada, demonstrando um tom mais brando para as futuras elevações das taxas básicas de juros. Ainda sobre EUA, Donald Trump inicia o ano com pouco apoio no Congresso, o que torna difícil aprovar novas rodadas de estímulos fiscais na tentativa de impulsionar ainda mais a atividade da região. Anteriormente, eram esperadas 4 altas das taxas de juros americanas ao longo do ano de 2019, cerca de uma alta por trimestre. Com essa mudança de postura em meados de dezembro, atualmente espera-se apenas duas elevações. Como resultado desse movimento, podemos observar a queda das curvas de juros americanas.

Segundo o comunicado do FOMC, a taxa básica de juros deve permanecer inalterada e se mostra mais paciente quanto a futuras elevações.

Na Ásia, a guerra tarifária segue no radar e uma resolução final não consegue ser vislumbrada. A questão primordial é sobre a desaceleração da economia chinesa, no entanto, a visão é de que o governo chinês possui instrumentos suficientes para manter o atual ritmo de crescimento econômico por volta de 6,2% ao ano. Esses instrumentos seriam um novo pacote de estímulos anunciados pelo governo, nas formas de aumento gastos, elevação dos investimentos fixos estatais e redução dos depósitos compulsórios.

Economia Brasileira

No Brasil, tivemos o fim do recesso legislativo nas últimas semanas, portanto ainda é cedo tirar certas conclusões sobre as manobras políticas que estão sendo adotadas e até mesmo o capital político do atual governo. Medidas provisórias já estão tramitando no Congresso e podem servir de análise para o capital político do atual governo.

A atividade seguiu muito fraca em 2018, dada a crise de confiança e agentes postergando o consumo e investimentos. Já para 2019 é esperado uma aceleração, por conta da redução do spread bancário e da inadimplência. Tendo um cenário de um governo comprometido com agenda de reformas e conseguindo passar a aprovação da Reforma da Previdência, o cenário de crescimento é de cerca 2,0% do PIB para este ano.

Mais especificamente sobre a reforma da previdência, devemos destacar duas variáveis relevantes, uma diz respeito ao tamanho da economia gerada (espera-se uma economia de 900 bilhões de reais nos próximos 10 anos) e a outra variável diz respeito à dinâmica em relação ao prazo de aprovação. A expectativa do mercado é que seja aprovada entre meados de junho e julho. Lembrando que quanto maior for essa economia gerada para as contas públicas e quanto menor o prazo para a aprovação melhor para o mercado.

Em linhas gerais, o cenário político continua de certo modo ainda conturbado, do ponto de vista da construção da governabilidade e um eventual erro na condução do equilíbrio Fiscal nos trará um cenário bem mais difícil do que temos no momento.

Em suma, o êxito do governo de Jair Bolsonaro depende essencialmente de reformas que permitam vencer dois desafios cruciais, entre eles, evitar a insolvência fiscal e restaurar a capacidade do país de crescer (via produtividade e consequentemente de expandir o potencial de crescimento da economia brasileira).

O ritmo de crescimento ainda segue gradual. O ano de 2018 foi frustrante, com percepção de risco vindo do exterior e greve dos caminhoneiros. Parte da produção foi normalizada, mas principalmente a agropecuária foi comprometida e a confiança dos agentes afetada.

Outro ponto de preocupação é o componente governo dentro do PIB, dada a situação fiscal ainda muito complicada (9 estados decretando calamidade financeira, podendo entrar em um efeito cascata, afetando a dinâmica do próprio PIB em si).

O crescimento da economia brasileira segue pautado pelo consumo das famílias e investimentos. Os fundamentos por trás do consumo das famílias é de que o mercado de trabalho deva seguir o curso atual de melhora gradual, com isso, há um efeito da elevação da massa de renda, lembrando que o crédito é também um dos pilares para projeção de consumo. O crédito para pessoa física já chegou a demonstrar uma melhora, enquanto o crédito para pessoa jurídica esboça uma reação, lembrando que este está relacionado à investimentos em ativos fixos, como bens de capital e aquisição de máquinas equipamentos. Em suma, tendo como pano de fundo esses fundamentos, a economia deve crescer em um ritmo gradual e em um quadro inflacionário mais tranquilo.

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