A equipe de Investimentos da Mercer fez uma análise do mercado e identificou que estamos diante de uma janela de oportunidade importante para as Entidades de Previdência Complementar Fechada revisitarem suas carteiras imunizadas ou mesmo implementarem carteiras imunizadas para fazer frente ao seu risco atuarial. Veja mais detalhes a seguir...

 

Imunização das Carteiras de Investimentos

 

Nos últimos anos, devido ao baixo patamar da curva de juros, os recursos provenientes dos vencimentos dos títulos das carteiras imunizadas, assim como o recebimento de seus cupons de juros, foram alocados pelas Entidades para seu “caixa” (liquidez) na maioria dos casos, uma vez que as taxas dos títulos públicos não apresentavam grande atratividade para compra e imunização (marcação na curva/HTM).

 

No entanto, a partir de meados de março de 2021, o Banco Central brasileiro iniciou o ciclo de aperto monetário para conter a escalada inflacionária, decorrente principalmente dos efeitos econômicos da pandemia global e potencializada no início do ano pela guerra na Ucrânia e a forte alta de preços das commodities agrícolas e energéticas. A escalada dos juros alcançou recentemente a taxa Selic de 13,25% a.a. e ainda há no mercado dúvidas de até que nível irá e quanto tempo ficará acima do patamar chamado de neutro (nível que controla a inflação e não ajuda nem atrapalha o crescimento econômico). Tal movimento em conjunto com a avaliação de um quadro fiscal desafiador refletiram em um aumento dos prêmios das NTN-Bs, proporcionando a abertura de uma janela para revisitação das carteiras imunizadas das Entidades ou mesmo a implementação das mesmas, nos casos que já possuam uma segregação real dos ativos que fazem frente ao risco atuarial.

 

Para efeito comparativo, as taxas das NTN-Bs com vencimento em 2050 no início da subida de juros estavam inferiores a 4,5% a.a. e atualmente esse mesmo título está remunerando a taxas próximas de 6% a.a. Portanto, as taxas atualmente estão oscilando em níveis superiores à meta atuarial da maioria dos planos e considerando que o ciclo da subida de juros está próximo do seu fim, embora ainda haja dúvidas sobre a evolução do quadro fiscal, é possível que a janela de oportunidade de revisitar a carteira e adquirir os títulos públicos mencionados esteja próximo ao fim (podendo demorar alguns anos para surgir novamente nas taxas atuais, se ocorrer).

 

Para ilustrar no gráfico abaixo apresentamos a evolução da taxa Selic bem como a evolução das taxas das NTN-Bs 2030 e 2050:

 

 

 

Notem que após o último grande ciclo de aumento da Selic e sua estabilização, sucederam reduções significativas nos prêmios das NTN-Bs, seguindo a correlação existente dos prêmios com a taxa básica de juros e, também, com a visão de mercado sobre incertezas/riscos existentes. Neste sentido, as eleições são eventos que tendem a trazer também oscilações nos níveis das taxas, como ocorreu em 2018, mas que mesmo assim, ficaram abaixo dos prêmios de final de aperto monetário de meados de 2015 e início de 2016.

 

A última oportunidade que as Entidades tiveram para revisitar ou construir sua carteira imunizada com taxas similares as atuais foi em outubro de 2018.

 

Importante salientar que não é possível prever se teremos eventos globais ou locais que resultem em um movimento de elevação ainda maior dos atuais prêmios indicados no gráfico. O que buscamos destacar aqui é que as atuais taxas estão bastante convidativas frente as metas atuarias dos planos e por isso recomendamos aproveitar essa janela, uma vez que no momento em que ela fechar será imprevisível quando se abrirá novamente.

 

Nossa mensagem final é que o mar revolto do mercado tem dificultado bastante a gestão dos investimentos, contudo também traz oportunidades interessantes, como a abertura das taxas de NTN-Bs mencionada. Caso a sua Entidade ainda não tenha feito a atualização dos estudos técnicos para ajustar as velas de navegação para os próximos anos, a Mercer está à disposição para auxiliá-los na elaboração do estudo de ALM Determinístico, também chamado de CFM, visando indicar as movimentações necessárias na carteira de investimentos, sempre pautado no equilíbrio do ativo com o passivo do plano.

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