Savana do Silício do Quênia está à frente de uma expansão econômica única na África

Savana do Silício do Quênia está à frente de uma expansão econômica única na África

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Savana do Silício do Quênia está à frente de uma expansão econômica única na África
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Calendar30 Outubro 2018

A alardeada Savana do Silício do Quênia continua a proporcionar o avanço do comércio eletrônico e de compras on-line em todo o continente africano. Jumia, varejista on-line sediada em Nairóbi, apresentou uma receita bruta de US$ 597 milhões em 2017, ampliando seu alcance de quatro para 14 países.[1] No momento, à medida que o epicentro de startups da África busca atrair mais investidores internacionais, empreendedores especialistas em tecnologia e fornecedores locais, está catalizando uma mudança profunda no comportamento dos consumidores em toda a África.

Vencendo a barreira do varejo

Megaempresas como a Amazon e o Alibaba mudaram a essência do comércio de varejo nos mercados ocidentais e orientais, mas o continente africano ainda não teve a oportunidade de testemunhar a ascensão de gurus de tecnologia como Jeff Bezos ou Jack Ma. Uma nova geração de jovens pioneiros de tecnologia está impulsionando a transformação digital em todo o continente e mudando a forma como os consumidores não apenas adquirem produtos, mas organizam suas vidas.

Durante décadas, os mercados na África foram locais onde fazer compras constituía um incrível desafio. No entanto, as compras on-line e o internet banking estão permitindo que varejistas e consumidores africanos façam sua passagem de uma experiência de compras definida por uma infraestrutura antiquada, mecanismos bancários não confiáveis e processos de distribuição deficientes para a experiência aperfeiçoada do comércio eletrônico. Os efeitos de uma conectividade on-line aprimorada (o Quênia está entre os países com a internet mais rápida do mundo[2]) e a M-Pesa, plataforma móvel de serviços bancários que simplifica as transações financeiras e os microfinanciamentos, estão à frente de uma revolução das expectativas do consumidor em toda a África. O aumento do consumismo, porém, não está uniformemente distribuído em todo o continente.

O incomparável futuro da África

Os investidores estão aprendendo que a transformação digital na África não evoluirá como nas culturas ocidentais e orientais. A intuição humana pressupõe que as tendências e prioridades econômicas em determinada área do mundo podem servir de precedente para as demais áreas. Mas esse tipo de pensamento revela-se equivocado quando se trata das circunstâncias na África. Uma explosão da classe média como a ocorrida em locais como a China não deverá refletir os salários crescentes em toda a África. As corporações multinacionais devem estar cientes de que diferentes culturas adotam valores diferentes, e são esses valores que guiam a forma como as populações percebem, poupam e gastam dinheiro.

O continente africano, com seus 1,2 bilhões de habitantes, está dividido em nações e culturas muito diferentes. Os investidores e elaboradores de prognósticos financeiros não podem abordar a África com as mesmas estratégias e expectativas empregadas em outras grandes populações, como os 1,32 bilhões de habitantes da Índia ou os 1,38 bilhões da China. O leque de governos, culturas e cenários econômicos da África abrange uma vasta gama de oportunidades e obstáculos únicos. As intenções da ascendente classe média africana não giram em torno de adquirir produtos que simbolizem status social ou atraiam atenção individual. Em vez disso, os consumidores africanos estão provando ser mais conservadores, direcionando a renda extra para a poupança ou para redes familiares em áreas com menor viabilidade econômica.[3]

África, tempo e tecnologia

Entre os produtos mais vendidos na Jumia estão as fraldas descartáveis, o que fornece um vislumbre de como os consumidores da África estão priorizando seus recursos financeiros.[1] A obsolescência das fraldas tradicionais de algodão em favor das fraldas descartáveis mais caras indica que a conveniência e o gerenciamento do tempo são fatores impulsionadores de compras em um continente em evolução. Embora itens de luxo como cosméticos não tenham conseguido um bom impulso, o comércio eletrônico está mudando o comportamento dos consumidores quando se trata de um dos recursos mais valiosos na vida de qualquer pessoa: o tempo. Tudo começa com o acesso à internet.

O percentual da população queniana com acesso on-line chega a 85%.[4] À medida que os polos em Nairóbi e Mombaça continuam a atrair empresas inovadoras e empresários ambiciosos, empresas que estão surgindo na Savana do Silício, como a Twiga — que conecta fazendeiros locais a lojas em ambientes mais urbanos —, estão mudando tudo, desde as cadeias de abastecimento e distribuição até a transparência das operações. Na verdade, tecnologias como a blockchain (protocolo de confiança) podem reduzir de forma significativa a corrupção em toda a África, poupando aos empreendedores por trás das startups de tecnologia um tempo (não meses, mas anos) que seria despendido percorrendo uma burocracia custosa e atoleiros políticos para estabelecer suas empresas.

Embora o continente africano esteja cheio de culturas e países tão ricos quanto díspares, o Quênia e a Savana do Silício vêm provando à comunidade internacional de investidores que as mudanças positivas transcendem fronteiras e barreiras. Os polos de tecnologia do Quênia abrigam incubadoras de ideias e negócios que transformarão não apenas a África, mas o mundo inteiro. Afinal, a Amazon e o Alibaba também já foram pequenas startups com grandes sonhos. Tudo de que precisavam era um lugar para chamar de lar e tempo para crescer. Para os empresários africanos, esse lar é a Savana do Silício... e seu tempo é agora.

FONTES

1 Meet the Startup Building a Market From Scratch To Become Africa's Alibaba Matina Stevis-Gridneff
https://www.wsj.com/articles/with-c-o-d-and-goat-promotions-jumia-aims-to-be-africas-alibaba-1527073200?mod=e2tw
2 Kenya's Mobile Internet Beats the United States For Speed Lily Kuo
https://qz.com/1001477/kenya-has-faster-mobile-internet-speeds-than-the-united-states/
3 3 Things Multinationals Don't Understand About Africa's Middle Class William Attwell
https://hbr.org/2017/08/3-things-multinationals-dont-understand-about-africas-middle-class
4 Africa Internet Users, 2018 Population and Facebook Statistics
https://www.internetworldstats.com/stats1.html

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