Mercer | Sua empresa está preparada para a reforma da previdência?

Mercer | Sua empresa está preparada para a reforma da previdência?

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Sua empresa está preparada para a reforma da previdência?
Calendar22 Abril 2019

Nunca foi tão importante falar sobre a reforma da previdência. O debate sobre o tema está em todo lugar. Na mídia, a cobertura é quase diária. Especialistas apontam a falência do modelo atual, que apresenta uma combinação perversa entre mudanças demográficas — o aumento da expectativa de vida do brasileiro – e a estrutura deficitária crescente da previdência no Brasil, que vai causar, em 2019, um rombo de R$ 218 bilhões.

Só para se ter uma ideia do desafio de proporcionar uma aposentadoria digna para os brasileiros, considere o fato de existir, atualmente, nove pessoas em idade ativa para cada brasileiro com 65 anos. A projeção para 2060 é ainda mais preocupante: 2,2 ativos para cada aposentado. Dessa forma, o colapso será inevitável.

A proposta para a reforma da previdência desenvolvida pelo novo governo para criação de um novo regime de aposentadoria foi apresentada para a sociedade e tramita no Congresso, suscitando calorosas discussões sobre o que precisa ser feito para evitar que a previdência caminhe para o precipício da insolvência.

Uma certeza, porém, já se pode ter: a reforma da previdência terá um forte impacto nas empresas que já oferecem ou que planejam oferecer um plano de previdência complementar aos seus colaboradores. A mudança nas regras deve levar a uma mudança da estratégia para se garantir a segurança financeira no futuro.

Adapte seu plano para as mudanças

Para empresas que já oferecem um plano de previdência complementar, o desafio será redesenhar os planos, adequando-os às novas regras.

A maior parte dos planos projeta um nível de benefícios para uma carreira de 30 anos. Com o aumento da idade mínima de aposentadoria e mais tempo de trabalho, tudo precisa ser repensado.

A redução do benefício de aposentadoria é outra questão-chave. A exigência de 40 anos de contribuição para alcançar o benefício pleno vai fazer com que a maioria dos segurados se aposente com um benefício do INSS abaixo do teto máximo. Para as mulheres, o impacto será maior, já que serão necessários 40 anos de contribuição para que elas se aposentem com benefício pleno aos 62 anos de idade.

A reforma da previdência prevê ainda o recolhimento menor para menores rendas, o que proporcionará uma sobra de recursos. Caso este recurso livre seja poupado, lá na frente pode compensar um benefício menor do INSS. Mas para isso as atuais fórmulas que limitam as contribuições aos planos para rendas inferiores devem ser revistas. Já no caso do maior recolhimento para rendas maiores, de forma inversa, o aumento do recolhimento do INSS deixará menos recurso livre para as rendas mais altas. Essas faixas serão afetadas duplamente, pelo aumento do recolhimento e pela redução do benefício.

Com as novas regras de transição, a tendência é que os colaboradores fiquem mais tempo nas empresas. No redesenho dos planos, a empresa precisa decidir o tratamento a ser dado aos atuais empregados alcançados pelas regras de transição. Essa decisão pode ser suportada por um estudo demográfico com dados individuais dos participantes, visando identificar ganhos e perdas decorrentes da reforma quando em função do atual desenho do plano.

A maioria dos planos atuais não oferece cobertura completa para benefícios não programáveis, sob o argumento de que o seguro de vida em grupo da patrocinadora já é suficiente. Essa redução deve levar as empresas a reconsiderar a cobertura oferecida nos desenhos atuais de previdência complementar.

A terceirização de risco deverá entrar fortemente no radar dos planos de previdência complementar oferecidos pelos fundos de pensão, favorecendo o desenvolvimento de modelagens híbridas, conjugando seguros/planos de entidade aberta com planos de entidades fechadas.

A reforma trabalhista é outro fator a ser considerado pelas empresas no momento de adaptar os planos existentes para essa nova realidade. Os novos tipos de contratos definidos pela reforma trabalhista não são reconhecidos pelos planos de previdência atuais. Neste caso, será necessária uma flexibilização dessas condições. A eliminação da multa do FGTS para aposentados tornará a contratação deste público mais atrativo.

Por fim, os gestores dos planos de previdência e os empregadores precisarão considerar opções de investimentos mais sofisticadas, como forma de alterar as atuais estratégias e políticas de investimento, em função do alinhamento do tempo de aposentadoria normal para nova idade mínima de 65 anos.

A responsabilidade da empresa está além de oferecer um plano de previdência

Neste momento de transição para a nova previdência, é comum que as pessoas tenham dúvidas não só sobre como serão as regras para a aposentadoria daqui para a frente, como também o impacto no plano de previdência que sua empresa oferece. Essas questões já estão presentes no dia a dia das empresas e, com certeza, preocupam os colaboradores, a ponto de contribuírem para aumentar o nível de estresse.

Em um cenário de mudanças, é necessário mais informação e o desafio é traduzir para as pessoas os principais conceitos da reforma da previdência de forma simples e clara. Os colaboradores já contam com a empresa no aconselhamento de questões financeiras e de poupança para o futuro. Agora, será necessário se definir uma política de comunicação mais eficiente.

Neste contexto, a educação financeira assume um papel cada vez mais importante como ferramenta de esclarecimento e condução para essa nova realidade.

As empresas, por sua vez, têm uma responsabilidade ainda maior no apoio à sua força de trabalho para se atingir seu objetivo, o que se pode perceber em pesquisa feita pela Mercer em 11 países, com 7.000 adultos e 600 líderes sêniores. 79% confiam nos empregadores para receberem conselhos sólidos e independentes sobre planejamento financeiro, poupança e investimentos e negociar taxas. Já 86% dos empregados dizem que os melhores benefícios gerais do plano de pensão teriam um impacto positivo, resultando em maior satisfação e comprometimento.

Começar agora exige mais preparação

Se o momento é de revisão para quem já constituiu um plano de previdência complementar para os seus colaboradores, para aquelas empresas que ainda não oferecem e que buscam no mercado alguma solução, o desafio pode ser ainda maior. Compreender a nova realidade é fundamental para se desenhar um plano de previdência que seja adequado para os colaboradores, dentro das novas regras definidas pela reforma da previdência.

Hoje, com as mudanças, não só das regras da previdência, mas também da flexibilização da legislação trabalhista, o cenário se tornou mais complexo e exige um aprofundamento maior e capacitação técnica para que se possa orientar os colaboradores e ajudá-los no desafio de construir uma aposentadoria sustentável.

A previdência vai mudar. Sua empresa precisa ir na mesma direção

A reforma da previdência vai nos conduzir a uma nova realidade, na qual sua empresa terá que adaptar seus planos de previdência atuais se quiser atingir os objetivos traçados para os seus colaboradores, terá que lançar mão cada vez mais da educação financeira para guiá-los na direção de uma aposentadoria sustentável  e dar o apoio necessário para a sua força de trabalho durante essa jornada.

É importante também ter consciência que a flexibilização da legislação trabalhista pode gerar benefícios significativamente menores caso os planos de previdência complementar não sofram as devidas adaptações e, por fim, os gestores dos planos de previdência e empregadores, devem buscar opções de investimentos mais sofisticadas, capacitando seus participantes para tomar decisões mais conscientes e aderentes à nova previdência. 

Por Felipe Bruno, Líder de Previdência, Mercer Brasil

Consultar os resultados do Índice Global de Aposentadorias da Mercer Melbourne (MMGPI)

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