O 7º EMGPC e o mercado para compartilhamento de riscos

O 7º EMGPC e o mercado para compartilhamento de riscos

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O 7º EMGPC e os próximos passos para criação de um sólido mercado Brasileiro para compartilhamento de riscos de previdência
Calendar26 Setembro 2017

No centro do poder, na capital do país, a Mercer reuniu autoridades, fundos de pensão, seguradoras, clientes e amigos, dedicando um dia inteiro para intensa troca de ideias e experiências sobre compartilhamento de riscos na previdência complementar.

As empresas têm demonstrado um interesse crescente pelos mecanismos para transferência de riscos de seus planos de aposentadoria. Os motivos são muitos.

Se tivéssemos que apontar os motores desse movimento, esses seriam: a busca por maior estabilidade e previsibilidade dos compromissos registrados nas demonstrações financeiras das empresas e o aumento contínuo da expectativa de vida, atraindo o foco para o risco da longevidade.

Experiência Internacional

Nas discussões de Brasília ficou claro ser gigantesco o mercado internacional de transferência de risco de fundos de pensão para seguradoras.

São cerca de US$ 7 trilhões em compromissos de planos do tipo benefício definido com potencial de transferência para seguradoras. Sim, trilhões mesmo!

Isso considerando apenas Inglaterra, EUA e Canadá, países onde o compartilhamento de risco está mais adiantado. Nos últimos 10 anos foram transferidos para seguradoras, algo em torno de US$ 300 bilhões em riscos. Ou seja, mesmo lá fora, esse ainda é um mercado recente.

Uma parte importante para a formação desse mercado são as seguradoras. Conforme ressaltou Benoit Hudon, Líder Global para Benefícios Definidos da Mercer e Líder de Previdência da Mercer na Região Europa-Pacífico.

Benoit, que teve contribuição preponderante para formação do mercado no Canadá, mostrou que o compartilhamento de riscos precisa ser um negócio “ganha-ganha”. O fundo de pensão se beneficia de um lado com a transferência do risco e a seguradora ganha do outro com a intermediação desse risco.

Se não for um bom negócio para as seguradoras e essas vierem a ter problemas de solvência, o chamado risco de contraparte fará o problema voltar paras o fundo de pensão.

Kim Rosenberg, Líder de Soluções para Distribuição e Previdência da seguradora Legal & General América, deixou claro a sofisticação por trás da precificação desse risco. Kim disse que os atuários usam inclusive o código postal do participante (equivalente ao CEP aqui do Brasil) como um dos parâmetros para mensurar a longevidade das pessoas. Incrível né!

Experiência Brasileira

Por aqui já estamos dando os primeiros passos para criação do mercado de compartilhamento de riscos. Em uma apresentação cativante e bem humorada, Nilton Molina da Mongeral Aegon deu o tom: os primeiros produtos que pretende oferecer para os fundos de pensão estão no forno, em fase final de análise pela SUSEP – Superintendência de Seguros Privados deverão estar no mercado em pouco tempo.

É de se imaginar que outras seguradoras deverão desenvolver seus estudos e logo novos produtos venham a ser oferecidos aos fundos de pensão.

A associação que reúne os fundos de pensão no Brasil, a ABRAPP, através de seu Presidente Luis Ricardo Martins, foi bastante provocativa frisando ser uma questão de sobrevivência a introdução rápida de inovações na previdência complementar.

 “Precisamos romper com um passado cujas soluções já não atendem a realidade atual” ... “Reforma trabalhista e as tecnologias de ponta, como a Inteligência Artificial, representam oportunidades para a criação de novas soluções”, disse ele.

Foco no indivíduo

A luz dos holofotes no setor de previdência está se voltando para o indivíduo que, aliás, sempre esteve no centro de tudo. Há certo consenso hoje no sentido de tratar a acumulação de recursos sob uma perspectiva mais abrangente.

A poupança, seja para a aposentadoria, para comprar uma casa, adquirir um carro ou simplesmente para fazer uma viagem, são faces de uma mesma moeda.

O conceito de previdência amplia-se, assim, para gestão de recursos (wealth management em inglês). Nada mais natural, portanto, do que se tratar essa poupança ampliada de forma customizada, indivíduo a indivíduo.

Fábio Coelho, Diretor Superintendente da PREVIC, brindou a todos os presentes no 7º EMGPC com a antecipação das prioridades do governo na área de previdência complementar.

A despeito da grande energia que precisa ser dedicada à supervisão e controle do estoque de planos de benefício definido, são inequívocos os esforços da PREVIC, conforme mostrou Fábio, para o desenvolvimento e evolução dos planos de contribuição definida e de soluções que atendam as necessidades de uma sociedade em constante transformação.

Por outro lado, o Diretor Geral no Brasil da Franklin Templeton, Marcus Vinicius Gonçalves, partilhou as diversas iniciativas que sua empresa, gestora de investimentos, está desenvolvendo para atender as novas gerações de profissionais.

Ao final dos debates de um dia repleto de energia e compartilhamento de conhecimentos, Renato Vianna e Ana Laura, respectivamente, Líder de Novos Negócios de Previdência e Líder da Área de Estratégia de Carreira ad Mercer, mostraram a importância para os resultados das empresas, que o engajamento dos empregados seja mantido num alto nível.

Próximos passos

A bússola aponta para mudanças, expôs Marcelo Caetano, Secretário de Previdência do Ministério da Fazenda no encerramento do dia.