Informativo de investimentos Mercer Brasil - Janeiro 2018

Informativo de investimentos Mercer Brasil - Janeiro 2018

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Informativo de investimentos Mercer Brasil - Janeiro 2018
Calendar26 Fevereiro 2018

Em janeiro tivemos a decisão sobre a taxa de juros nos Estados Unidos, que ficou entre 1% e 1,25% ao ano, em acordo com o que era esperado pelo mercado. Não houve muitas novidades no comunicado do FED, que manteve a visão da política monetária de aumentos graduais na taxa de juros – é esperado pelo mercado três altas esse ano. Do lado da atividade, os desempenhos da economia e do mercado de trabalho mantiveram a solidez dos últimos meses. A respeito da inflação, os dados seguem abaixo da meta de 2%.

Na Europa, o fortalecimento do euro vem refletindo o cenário de crescimento positivo, fato que eleva a possibilidade de uma normalização da política monetária mais veloz pelo Banco Central Europeu (BCE). A ata da última reunião do BCE revelou maior confiança dos membros acerca do processo de recuperação da atividade na região, aumentando a hipótese de que o fim das compras de títulos possa ocorrer em setembro de 2018. Os dados mais recentes de atividade fortalecem esse quadro da não continuidade das compras, sinalizando que a região deverá manter o ritmo de crescimento de 2,5% em 2018. No front político, os riscos parecem reduzidos com a provável coalizão entre a democracia cristã e os social-democratas na Alemanha, além de baixa probabilidade de eleição de um governo populista na Itália.

No ambiente local os sinais de recuperação estão se consolidado cada vez mais na economia. Devemos ter uma expansão de 0,3% no quarto trimestre, após alta de 0,1% no trimestre anterior. O consumo deve seguir liderando a recuperação da economia e os investimentos têm apresentado dados mais positivos. Do lado fiscal, o governo central encerrou 2017 com déficit primário de R$ 124 bilhões, melhor que sua meta (R$ 159 bilhões). No aspecto monetário, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 25 pontos base para 6,75% ao ano na reunião de fevereiro. Existe a abertura para novos cortes na taxa Selic, mas estão atrelados a novas surpresas baixistas na inflação. A perspectiva é de que o consumo seguirá sendo a maior contribuição para o crescimento da economia nos próximos trimestres.

No ambiente político, tivemos em janeiro a confirmação da condenação de Lula em segunda instância e o aumento de sua pena. A lei é clara sobre a proibição, mas há tramites judiciais que possibilitam uma eventual candidatura, os tribunais superiores ainda podem autorizar o petista a entrar na disputa, respaldado por liminares judiciais.

A relevância das eleições se mantém em destaque, ainda termos um cenário incerto no que se diz sobre a agenda de reformas e ajustes econômicos necessários que poderão recolocar a economia em um caminho de crescimento mais prolongado, em relação à recuperação cíclica atual. Já começamos a ver os sinais dessa recuperação, que deve ir se tornando mais consistente nos próximos meses, mas ainda tímida por consequência da incerteza política, sendo que o resultado das eleições deverá ser fundamental para definir as projeções para os próximos anos.

O cenário internacional continua apontando para um crescimento mais forte dos países desenvolvidos, influenciando assim uma maior recuperação dos países emergentes. No entanto, nas últimas semanas surgiram novos fatores modificando o cenário de menor volatilidade e maior apetite a risco que se verificava nos meses passados. Entre eles, o relatório sobre a situação do mercado de trabalho norte-americano em janeiro voltou a mostrar sinais de aquecimento. Além da forte geração de empregos (200 mil frente à expectativa de 180 mil), o relatório também indicou uma alta significativa nos salários reais. Esses indicadores pressionaram as taxas de juros e provocaram quedas generalizadas na bolsa americana, com o mercado mostrando preocupação com os possíveis reflexos desses dados sobre a condução da política monetária. Outra consequência foi a alta da moeda dos EUA frente a praticamente todas as cestas de moedas internacionais, revertendo em parte da desvalorização do dólar observada nos últimos meses.

No Brasil, os mercados captaram esses efeitos nas primeiras semanas de fevereiro, com a bolsa local caindo, as taxas de juros subindo (especialmente para os vencimentos mais longos) e o real se enfraquecendo. Contaminados pelo mau humor internacional que forçou uma correção para os mercados emergentes e por dados mais fortes de emprego nos Estados Unidos. O movimento das bolsas americanas bastante negativo também se justifica pela realização dos retornos por parte dos investidores saírem de papéis que já haviam tido fortes ganhos recentes. O resultado do avanço da renda salarial eleva uma aposta em uma trajetória mais forte da alta de juros no país - um juro americano mais alto reforça a migração para títulos da dívida americana e consequentemente reduz a liquidez mundial.

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