Informativo de Investimentos - Dezembro 2017

Informativo de Investimentos - Dezembro 2017

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Informativo de Investimentos - Dezembro 2017
Calendar16 Janeiro 2018

Em dezembro, nos Estados Unidos, a tão aguardada reforma fiscal foi aprovada, mas acabou focando exclusivamente na redução de impostos, sem abordar a trajetória de gastos, o qual se mostra ascendente nos próximos anos. Com isso, as projeções de mercado apontam para um aumento do déficit fiscal nos próximos anos, mesmo com expectativas otimistas de crescimento do PIB na região. Vale ressaltar que o Fed já vem iniciando o processo de normalização da política monetária mesmo que as dúvidas persistam sobre as perspectivas para a inflação. Uma nova rodada de estímulos pode aumentar ainda mais o risco de uma inflação em alta, apontando para a possibilidade de juros maiores do que já vem sendo sinalizado pelo Fed.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) começa a mudar o tom que vinha se mantendo nos últimos meses. Segundo o comunicado as diretrizes da instituição podem começar a mudar neste início de ano caso a economia da zona do euro continue em expansão e é esperado que o fim do Quantitative Easing (QE) se aproxime. O cenário internacional continua apresentando um quadro de manutenção da liquidez monetária e um ritmo de crescimento global, no entanto se observa um movimento de elevação de juros que se aproxima e dependendo dos resultados de atividade econômica, podem vir mais intenso.

No ambiente local, tivemos na quinta-feira, dia 11, o anúncio de rebaixamento da nota de risco de crédito do Brasil de “BB” para “BB-“ pela agência classificadora de risco Standard & Poors. A primeira análise que se faz desse feito é de que essa redução já vinha sendo tomada como cenário base para o mercado, desde os primeiros anúncios de distanciamento do governo e adiamento da reforma da previdência. Com isso, não devemos observar grandes efeitos nos ativos brasileiros, o clima global de crescimento abranda essa reação, o foco é e continuará sendo nos desdobramentos eleitorais. Essa calmaria é vista com cautela até se ter uma melhor visão de quais serão os prováveis eleitos e suas respectivas agendas de governo. 

Em relação à política monetária, tivemos a sinalização pelo Banco Central da possibilidade de mais um corte na taxa Selic já na reunião de fevereiro. O Relatório Trimestral de Inflação mostrou as projeções da autoridade monetária ao redor da meta para os próximos anos. Esse cenário vem em linha com os dados correntes de inflação, que seguem baixos. As expectativas continuam ancoradas e o crescimento econômico permanece em avanço gradual. Comparando o atual nível de atividade com recessões anteriores, observa-se que o ciclo de expansão poderia ser mais avançado e mais robusto do que o observado até então, esse seria um indicativo que há outros motivos restringindo essa retomada. As incertezas políticas e a eleição de 2018 parecem ser os principais suspeitos para explicar essa dinâmica.

Em resumo, o cenário global continua benéfico para países emergentes, no entanto, para os próximos anos, o nível de cautela deve ser aumentado com os riscos globais de inflação. Assim que forem sendo demonstrados dados de um ambiente inflacionário, abre-se um horizonte para o movimento de altas de juros das principais economias internacionais. Poderíamos observar um movimento de reprecificação em diversos ativos, dado o resultado dos excessos dos últimos anos, sendo de maneira gradual ou abrupta, a depender das políticas econômicas que serão implementadas, podendo levar a um cenário mais controverso.

No Brasil, pela primeira vez desde a introdução do regime de metas de inflação com câmbio flutuante, existe uma forte expectativa de que a taxa de juros básica (Selic) ficará abaixo do patamar neutro por um vigoroso horizonte de tempo. Historicamente a inflação permaneceu acima da meta na maior parte do tempo, obrigando a política monetária a se manter predominantemente com juros elevados. Isso levou a autoridade monetária a sustentar a taxa básica de juros consideravelmente acima de seu patamar neutro, em nível consistente com um “carry (carregamento)” atrativo, ou seja, um nível consistente com entradas generosas de capitais de curto prazo.

A situação atual parece bastante atípica na história do país. A inflação está em um nível extremamente baixo, sem represamento de preços, a ociosidade de fatores de produção na economia é elevada e a autoridade monetária desfruta de grande grau de credibilidade em relação à sua vontade e capacidade de cumprir as metas inflacionárias. Essa circunstância permite ao país praticar níveis de juros que são historicamente baixos para o padrão brasileiro, levando a uma importante redução do retorno sobre investimento em renda fixa no mercado doméstico, vis-à-vis alternativas “off shore” (no exterior).

No entanto, o Brasil nesse ambiente de incerteza, possui uma proteção externa em seu balanço de pagamentos e altas reservas internacionais, mas fragilidades enormes no lado fiscal. Somado a isso, temos as eleições gerais em outubro de 2018, e os cenários desenhados nas intenções de voto atuais, não demonstram que escolhas voltadas para a pauta de agenda de reformas se concretizem.

Olhando para 2018, se mantém a visão de recuperação gradual da economia, que deve apresentar crescimento de 2,5%, contando com a retomada do consumo, que se apoia tanto na recuperação do emprego quanto do crédito às famílias. Investimentos, podem apresentar crescimento modesto, considerando ainda em andamento o processo de desalavancagem das empresas e as incertezas com relação aos avanços na agenda de reformas estruturais.

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