Como enfrentar o desafio da equidade de gênero | Mercer

Como enfrentar o desafio da equidade de gênero

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Como enfrentar o desafio da equidade de gênero
Calendar04 Julho 2019

Em um mundo em profunda transformação, a redução da desigualdade de gênero é cada vez mais importante e estratégica

Falar na redução da desigualdade de gêneros em tempos de profundas transformações da sociedade pode parecer óbvio. Mas ainda é extremamente necessário.

É claro que a condição das mulheres tem apresentado avanços ao longo do tempo, com maior acesso à educação, presença cada vez mais crescente no mercado de trabalho e ocupação de espaço nas esferas de poder, tanto na política quanto na liderança das empresas.

Governos e empresas já descobriram que não é possível — nem inteligente — abrir mão da capacidade produtiva das mulheres, afinal, elas são metade da população mundial, com uma relação direta entre empoderamento feminino e prosperidade da economia.

Pode parecer utópico que, em pouco tempo, sejamos capazes de zerar o nível de desigualdade de gênero, mas enfrentar as barreiras que ainda travam o crescimento das mulheres na sociedade, com políticas públicas inclusivas, promoção de mais oportunidades e valorização das suas capacidades e talentos representam uma importante quebra de paradigma.

Um tema de importância global

Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, alerta que a chamada era da Quarta Revolução Industrial traz oportunidades inéditas e novos desafios.

Segundo ele, para se aproveitar ao máximo as novas tecnologias, precisamos enfatizar o que nos torna únicos como seres humanos, como a capacidade de aprender novas habilidades, a criatividade, a empatia e a engenhosidade.

Neste aspecto, a contribuição igual de mulheres e homens é fundamental já que não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar todo o potencial feminino na construção de um futuro mais próspero e nos benefícios que a inovação e a tecnologia podem proporcionar para a sociedade.

O estudo The Global Gap Report 2018, do Fórum Econômico Mundial, aponta que muitos países têm alcançado marcos importantes para a paridade de gênero, mas que ainda há muito a ser feito. Na mesma medida em que avanços são percebidos, surgem novas lacunas de gênero a serem enfrentadas.

O que é conclusivo, em tempos nos quais as habilidades humanas são cada vez mais importantes e complementares à tecnologia, é que não podemos nos privar do talento das mulheres, principalmente em setores nos quais o talento já é escasso.

Alguns resultados do estudo

Desde 2006, o Fórum Econômico Mundial vem mensurando o nível de disparidade entre os gêneros e a redução deste gap em termos globais.

O relatório de 2018, apesar de uma pequena melhora, aponta para que o gap entre gêneros ainda permanece em uma média global de 32%, com avanços em 89 dos 144 países pesquisados.

Em uma projeção, mantendo-se os níveis de melhora detectados, o gap global entre gêneros levaria 108 anos para ser eliminado, isso em 106 países analisados, desde a primeira edição do estudo.

No caso da participação econômica, que utiliza a métrica de participação, remuneração e avanço na carreira, estima-se que para se chegar à equidade total, o avanço teria que ser de 42%. Em termos de tempo, cerca de 202 anos.

É claro que os indicadores do último ano sofrem influência da transformação acelerada do mercado de trabalho e a importância exponencial de perfis ligados à ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Como a Mercer trata do tema

A Mercer tem contribuído com as discussões sobre diversidade junto ao Fórum Econômico Mundial há muito tempo, principalmente no que se refere a estudos sobre a transformação do mercado de trabalho e tendências.

Porém, tornou-se evidente a importância de uma metodologia estruturada e holística para abordar a equidade de remuneração entre gêneros de uma forma pragmática, colaborando para que as empresas possam acelerar a eliminação de seus gaps.

Em função disto, a Mercer se associou à EDGE, uma fundação suíça que promove a igualdade entre gêneros para fornecer uma solução completa, analisando os seguintes aspectos:

  • Equilíbrio de gênero da empresa em todos os níveis
  • Equidade salarial em trabalhos equivalentes
  • Políticas e práticas utilizadas para garantir oportunidades iguais de carreira a todos e
  • Existência de uma cultura inclusiva

Metodologia utilizada

1ª Fase: Alinhamento 
Período dedicado ao planejamento, entendimento da estratégia da empresa e seus mais importantes indicadores de negócio. Nesta fase, são realizadas entrevistas executivas e com a liderança.

2º Fase: Mensuração 
Coleta de informações e pesquisa, com o compartilhamento de perguntas a serem avaliadas pela empresa e utilizando-se ferramenta fornecida.

3º Fase: Benchmarking 
Compartilhamento dos relatórios, gaps identificados e execução de workshops na empresa para desenvolvimento de seus planos de ação.

4º Fase: Obtenção da Certificação  
A empresa será submetida a uma auditoria realizada por empresa de auditoria (externa e independente) visando a obtenção da Certificação EDGE. (um de três níveis).

5º Fase: Comunicação  
Divulgação do resultado da certificação, com a definição de novas metas evolutivas, e um plano de comunicação dirigido à mídia, investidores, parceiros e colaboradores.

Ao final do processo, ainda há a opção de contratação de coaching periódico e de acesso a toda a Plataforma Mercer Premier para consulta de melhores práticas e benchmarking.

Como é concedida a Certificação?

Ao final de todo o assessment consultivo,  a auditoria independente analisa todos os dados  disponibilizados e confere um selo de certificação de equidade de gêneros que poderá ser em 3 níveis:

Assessment - Primeiro nível de selo, que demonstra o comprometimento da empresa com a diversidade.

Move - Segundo nível de selo que demonstra não somente o comprometimento, mas ações  relevantes de progresso.

Lead - Último nível de selo que demonstra sucesso no que se refere à equidade de remuneração, cultura inclusiva e politicas bem-sucedidas.

Esta avaliação é reconhecida internacionalmente e possui mais de 200 grandes empresas certificadas em mais de 50 países.

O selo resultante da certificação é sério e isento, concedido por uma terceira parte, com processo auditado, e importantes referências em várias indústrias.

Destacam-se entre as certificadas, empresas da indústria de tecnologia, tais como: SAP, Sage, Convergys; da área de finanças, Deutsche Bank, IFC, IDB; e outras de projeção internacional, como: Unicef, Loreal, Accenture, Pfizer e Roche.

Qual a importância desta certificação?

Este processo tem como aspecto principal a oportunidade de avaliar a questão de equidade de gêneros de forma holística e completa, e não somente a existência de gaps de remuneração nas empresas.

A proposta é ir além, identificando onde acontecem os gaps, quais as suas causas e o que fazer para eliminá-los.

É fundamental tratar este assunto com o mesmo rigor e transparência que são tratados quaisquer outros objetivos de negócio. Ao envolver uma terceira parte, confere-se mais profissionalismo e imparcialidade em todo o processo. A existência de um selo passa a ser a garantia de qualidade internacionalmente reconhecida, que faltava no processo.

Um caminho sem volta

O que se percebe é que o mercado corporativo, mundialmente, vem sendo cobrado pela sociedade — clientes, investidores, funcionários e parceiros — por mais equidade e diversidade, com a valorização dos produtos que compram e vendem, as empresas para quem trabalham e com quem se associam, de forma proporcional aos valores que vivem.

Alguns movimentos institucionais e de políticas públicas, que visam garantir esta equidade, já podem ser percebidos. Muitos países estão discutindo projetos de lei de aplicação de multas no caso de desigualdade salarial.

É inevitável que, hoje, o tema da equidade de gêneros ganhe uma importância cada vez maior para as empresas e a Mercer pode colaborar para acelerar a eliminação destes gaps nas corporações, ajudando a prepará-las para o mercado do futuro, que, aliás, já está aí.

Por: Patricia Motta, Líder MCG, Mercer Brasil

  Obtenha o relatório completo: “Refletindo e construindo uma força de trabalho diversa com uma cultura inclusiva”
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