Vamos falar sobre o futuro do trabalho? | Mercer 2019

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Vamos falar sobre o futuro do trabalho?
Vamos falar sobre o futuro do trabalho?
Calendar08 Julho 2019

A cena clássica do filme Tempos Modernos, de Charlie Chaplin, lançado no distante ano de 1936, na qual o operário aperta parafusos em uma linha de produção cada vez com mais velocidade, é comumente utilizada para ilustrar uma cultura arcaica do trabalho em comparação às relações do trabalho dos dias atuais. Além de cômica, a cena é uma crítica mordaz à opressão da máquina sobre o homem, dramatizando o estágio primitivo do trabalho.

Evoluímos muito nestes mais de 80 anos.

Esta lembrança do filme Tempos Modernos me ocorre quando penso sobre o cenário do trabalho atual no mundo. O risco naquela época – pelo menos na visão do genial Chaplin — era de que o homem seria escravizado pelo trabalho. Passamos então a encarar como risco a substituição do homem pela tecnologia (robotização e inteligência artificial), mas, como tudo muda muito rápido, hoje, o risco está em não assimilar que são as pessoas as responsáveis por qualquer transformação tecnológica necessária para tornar as empresas mais lucrativas, impulsionando a prosperidade das pessoas.

Sendo assim a estratégia deve ser colocar as pessoas no centro da transformação e ajudá-las a se preparar para o que está por vir. Mas, como colocar isso em prática, frente mudanças constantes, é o grande “X” da questão.

O estudo Tendências de Talento Global 2019, desenvolvido pela Mercer, com 7.300 funcionários, líderes de RH e altos executivos em 16 regiões geográficas e 9 setores de mercado, apresenta importantes dados que nos ajudam a  compreender como o trabalho tem sido encarado diante de tantas transformações. O estudo produz uma série de insights interessantes que nos ajudam a refletir sobre a importância de termos as “pessoas no centro das transformações” e com certeza, merecem a sua atenção. Mas, na minha opinião, alguns pontos são fundamentais.

Aumento da disrupção

 Dentre uma série de insights o que mais se destaca é a percepção sobre a disrupção.  Dos executivos consultados pela pesquisa, 73% prevê  uma disrupção significativa em seu setor nos próximos 3 anos, um aumento significativo se compararmos com os 26%  que pensavam a mesma coisa o ano passado. .

Mais da metade deles, por exemplo, acredita que a IA e a automação substituam 1 em cada 5 empregos atuais em suas empresas. O que parece um ponto negativo pode ser encarado como uma oportunidade, já que, como contraponto, a IA e a automação serão responsáveis pela criação de cerca de 58 milhões de novos empregos até 2022, segundo o Fórum Econômico Mundial. Esse dado exigirá novas estratégias para a força de trabalho e trará impacto relevante para o crescimento das empresas.

Quatro em cada cinco executivos acreditam que suas empresas podem gerar  disrupções em seus setores. Quase todos estão se preparando para o futuro do trabalho, embora, com esta preparação, surjam no horizonte riscos significativos para o capital humano. Destaco, dentre eles, a incapacidade de vencer o gap de competências e o baixo nível de engajamento, fatores que podem desacelerar o avanço da transformação.

O estudo também revela o aumento das pressões econômicas sobre a atividade das empresas. E neste aspecto a percepção é ambígua: há os que enxergam uma oportunidade econômica significativa, com maior produtividade e vidas mais equilibradas, incrementos gerados pelos avanços tecnológicos e inovação, mas também há os que preveem um enfraquecimento do crescimento global, causado principalmente pelas tensões geopolíticas.

É a clássica situação de olhar o copo meio vazio ou meio cheio.

Não é à toa que, neste cenário de mudanças e incertezas, a segurança no trabalho cresce com destaque e é apontada como uma das três principais razões pelas quais as pessoas escolhem uma empresa e a principal razão que as faz permanecer no emprego atual. Uma análise desta situação sinaliza que envolver as pessoas na jornada da transformação, gerando pertencimento, é fundamental. Precisamos lembrar sempre que são as pessoas que viabilizam mudanças e seu engajamento permite que a jornada seja bem-sucedida.

Novos empregos, novas competências

Vivemos, hoje, em um mundo que muda muito rapidamente. Isso é fato. Por isso, o gap de competências é um risco crucial para o sucesso da remodelação, da reestruturação e da recolocação. Mas como fazer isso quando há escassez de talentos?

A resposta óbvia é o desenvolvimento de pessoas. Sob pena de comprometimento da competitividade e sustentabilidade.

No estudo, a requalificação e recapacitação aparecem com destaque entre as prioridades dos executivos, subindo da nona colocação no estudo anterior para o terceiro lugar em 2019 e assumindo a liderança no setor de seguros, por exemplo. O foco é no aprendizado prático e direcionado ao funcionário, bem como em programas de recapacitação mais formais para populações específicas.

Mesmo que seja clara a preocupação com recapacitar, ainda esbarramos em uma visão equivocada que vê como obstáculo o risco de o profissional requalificado deixar a empresa.

Trabalho flexível

As empresas estão repensando aspectos de como e onde o trabalho é realizado. Os obstáculos para a implementação do trabalho flexível podem estar na política da empresa, mas também no mindset dos gestores. A solução vai além do estabelecimento  de uma cultura de trabalho flexível, alcançando  a flexibilidade no próprio trabalho: semanas reduzidas, expedientes adaptados e trabalho remoto.  

Um dos elementos chave seria oferecer diferentes formas de flexibilidade, pensando nas necessidades dos funcionários e da empresa. Para que essa flexibilidade funcione, será preciso uma grande mudança de mindset e maior responsabilidade por parte dos funcionários.

Sua empresa está preparada para o futuro do trabalho?

Uma leitura atenta do Estudo Tendências de Talento Global Mercer 2019 pode nos ser muito útil para entender para onde caminhamos e, principalmente, como devemos nos preparar para o futuro do trabalho. E estamos falando de um futuro não tão distante assim, que já bate à nossa porta agora. A decisão que a sua empresa deve tomar é se vai se enfileirar às empresas prósperas — aquelas que já compreenderam a importância da transformação digital e já estão fazendo os movimentos necessários em sua força de trabalho — ou se vai correr o risco de adaptar fórmulas já gastas do passado, e mostrar que o modelo de trabalho tão bem transformado por Chaplin em riso ainda reverbera em nossos tempos.

 

Por Eduardo Marchiori, CEO, Mercer Brasil.

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