Flexibilidade na política de mobilidade

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Flexibilidade na política de mobilidade
Calendar02 Outubro 2017

Os gestores de mobilidade estão diante de uma força de trabalho cada vez mais internacional e móvel e devem saber lidar com as diferentes expectativas de uma nova geração, que coloca em evidência a necessidade e a complexidade da flexibilização de políticas.

Novos modelos de políticas flexíveis têm surgido, juntamente com indagações relevantes para que esses sejam incorporados como, por exemplo: quando e onde implementá-los e, quem deve deter o controle, o Business ou o funcionário?

Problemática

O escopo das mobilidades globais está aumentando, consideravelmente, o que significa haver diferentes tipos de atribuições, mais funcionários internacionais e a diversificação de localidades de origem e destino das movimentações. Tal expansão faz com que os pacotes de remuneração se tornem cada vez mais complexos ao mesmo tempo em que um número crescente de funcionários buscam maior flexibilidade na forma em que serão compensados por assumir uma missão internacional. Os Millennials, particularmente, demandam por múltiplas opções e maior flexibilidade, requerendo que o Business repense suas práticas e diretrizes para que novas políticas possam suportar a necessidade e a escolha dos funcionários.

Segmentação vs. Flexibilidade

Até recentemente, as empresas utilizavam a segmentação de política para gerenciar as atribuições globais. Tais segmentações se harmonizam às necessidades de um determinado Business Case, em que se define o valor das mobilidades para o negócio, o perfil dos candidatos à expatriação e a duração das atribuições.

Uma política é estabelecida para cada Business Case e, usualmente, as empresas utilizam a ‘árvore de decisão’ para identificar qual segmentação deve ser aplicada a cada candidato a mobilidade. Adicionalmente, uma vez que cada tipo de mobilidade baseia-se em um propósito específico, cada uma delas terá um modelo de remuneração definido.

De outra maneira, a flexibilidade permite que diretrizes ou políticas específicas estabeleçam o propósito e a aplicação da abordagem flexível. Ou seja, a nova abordagem passa a definir quais serão os elementos core e os elementos flexíveis das missões internacionais e a variedade de escolha entre esse ou aquele componente do pacote de expatriação pode ser limitada a determinado(s) elemento(s) core ou flexível, ou ser ilimitado.

Modelo Cafeteria

No modelo Cafeteria a escolha é otimizada, podendo tanto refletir o desejo do funcionário quanto do Negócio. Essa abordagem é similar ao momento em que se faz uma refeição em um restaurante, onde o cliente pode selecionar o que deseja consumir dentre uma variedade limitada de escolha que consta no cardápio. O cerne, entretanto, é a maneira com que tais políticas devem ser estruturadas, minimizando o número de exceções.

Certamente, há vantagens e desvantagens em adotar o modelo Cafeteria, sendo elas:

VANTAGENS

  • A política passa a ser apenas um guideline.
  • Pode ser um caminho para reduzir exceções em situações que a exceção é uma regra.
  • Negócios e Funcionários possuem o máximo de flexibilidade que se adequam melhor a seus contextos específicos.
  • Adaptabilidade à situação local.
  • Reconhecimento das várias variáveis que afetam o pacote de compensação.
  • Não há tempo gasto em debates e negociações.

DESVANTAGENS

  • A flexibilidade pode levar a impactos descontrolados no custo.
  • Administração e rastreamento podem ser desafiadores.
  • Falta de consistência e equidade entre funcionários.
  • Risco em decisões arbitrárias.

Adotando o Modelo Cafeteria

Para que uma empresa altere ou flexibilize um modelo de segmentação de política, é aconselhável que haja a definição de três elementos básicos:

  1. O propósito das mobilidades para o Negócio;
  2. Os Business Cases que guiarão a segmentação de política;
  3. O nível de flexibilidade de cada elemento da segmentação.

Graus de dificuldade

Enquanto a flexibilidade é uma opção desejada, observa-se sua rara implementação.  Por mais que haja clareza em suas definições, pode ainda trazer complexidade à Gestão de Mobilidades. Dessa forma, simplicidade é a abordagem correta por hora e, por essa razão, o modelo Cafeteria é, usualmente, limitado à escolha da empresa em detrimento do funcionário, permitindo que o Negócio adapte determinadas práticas de acordo com as localidades exploradas. A chave é definir uma estrutura clara, com definições explícitas para cada variável, ou seja, cada elemento flexível e core.

Enquanto tal abordagem ainda funcione em curto prazo, o futuro irá requerer abordagens adicionais e sistemas que apoiem as expectativas crescentes dos funcionários. Jovens trabalhadores almejam flexibilidade por meio de suas experiências profissionais, incluindo as missões internacionais.

Finalmente, o modelo Cafeteria permite a experimentação de uma nova abordagem de mobilidade para as empresas que querem estar prontas para responder à necessidade de atrair e reter talentos, sendo um poderoso caminho que concilia às necessidades dos empregados e dos Negócios.

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Autoria: Yvonne Traber e Aude Besnainou, Mercer
Adaptação: Indre Medeiros, Mercer
Disponível em:
https://info.mercer.com/flexibility-in-mobility-policy.html

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