Dia do Atuário: 03 de abril

Dia do Atuário: 03 de abril

ATUÁRIOS: Identificando Oportunidades para um futuro mais seguro

Celebramos no dia 03 de abril o Dia do Atuário. Ao olharmos a evolução da profissão no Brasil, sem dúvida temos muitos motivos para comemorar! É notório que o mercado de atuários no Brasil e no mundo tem experimentando uma curva ascendente, o que tem exigido constante evolução da carreira, acadêmica e profissionalmente, ao longo dos anos. Por outro lado, ainda temos o grande desafio de tornar essa importante profissão mais conhecida e reconhecida.

No Brasil, a atividade atuarial foi reconhecida pelo Decreto-Lei 806 de 04 de setembro de 1969, sendo que o Decreto nº 66.408, de 03 de abril de 1970, regulamentou o exercício da profissão do atuário, definindo a sua competência e tornando obrigatória sua assessoria em diversas áreas e atividades.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Atuária – IBA, “O Atuário é o profissional preparado para mensurar e administrar riscos, uma vez que a profissão exige conhecimentos em teorias e aplicações matemáticas, estatística, economia, probabilidade e finanças, transformando-o em um verdadeiro arquiteto financeiro e matemático social capaz de analisar concomitantemente as mudanças financeiras e sociais no mundo”.

Ao analisarmos esta definição do IBA, é possível perceber que a palavra “Risco” possui uma forte correlação com este profissional, cuja formação acadêmica se dá em Ciências Atuariais. Uma visão pessimista poderia sugerir que os atuários estudam e avaliam o potencial de perda, mas uma visão otimista define que os atuários identificam oportunidades para um futuro mais seguro.

Atualmente, no Brasil, existem cerca de 20 Universidades que oferecem o curso. Apenas para balizamento, de acordo com o próprio IBA, 20 anos atrás eram apenas 4 Universidades. Neste sentido, no âmbito acadêmico, observa-se que as universidades procuraram se adaptar às novas realidades de mercado, inclusive revisando e aperfeiçoando as suas grades curriculares.

Ainda, segundo números do IBA, posicionados em setembro de 2016, existiam cerca de 1500 atuários ativos no país, distribuídos geograficamente da seguinte forma:

 

Se você perguntar a alguns desses atuários o trabalho que eles desenvolvem, muito provavelmente as respostas serão semelhantes. Cada um dirá a sua própria maneira, "nunca é o mesmo!". Diariamente, os atuários usam um conjunto diverso de habilidades diante dos desafios da profissão, dentre os quais podemos destacar: matemática, estatística, raciocínio lógico, contabilidade, capacidade de análise, programação e banco de dados.

Recentemente, nas discussões sobre reforma da previdência, as expressões “atuária” e “cálculo atuarial” foram citadas algumas vezes, mas sabemos que grande parte da população desconhece o real significado. Por vezes, os próprios políticos que conduzem o assunto desconhecem o tema. Em geral, as pessoas têm uma vaga noção do que seja a Atuária e sabem menos ainda o que faz o atuário. . Apesar de se tratar de uma atividade relativamente antiga, o seu conhecimento ainda se restringe a áreas muito específicas, como previdência, saúde e seguros. Talvez seja por isso que sempre que alguém diz que se formou em Ciências Atuariais, as pessoas comentam: “Esse curso é novo, não é?”.

Com isto posto então o que esperar destes profissionais que, como vimos, possuem conhecimentos multidisciplinares?

Sabe-se que nos últimos anos, houve uma evolução normativa muito intensa no Brasil nos principais segmentos de atuação dos atuários, sendo que, muitas delas, acompanharam as tendências mundiais e outras observaram a efetiva demanda e experiências observadas em um passado recente.

Cumpre-nos destacar também que as evoluções tecnológicas têm sido importantes parceiras para a Ciência Atuarial, considerando que os cálculos passaram a exigir um número cada vez maior de variáveis e os mais diversos cenários, atrelados à necessidade das organizações por resultados de qualidade e com tempestividade.

Diante deste cenário, além de muito trabalho a se desenvolver em previdência, seguros, resseguros, capitalização e saúde suplementar, especialmente considerando as constantes mudanças demográficas, sociais, econômicas e financeiras no Brasil e no mundo, os atuários estão buscando caminhos diferentes e enriquecendo a profissão a fim de mostrar que podem contribuir em diversas áreas do conhecimento, afinal, tratam-se de profissionais preparados para mensurar e administrar riscos e sabemos que todos os ramos de atividade possuem seu grau de risco, que devem ser conhecidos, mensurados e gerenciados.

Ou seja, o trabalho dos atuários pode agregar valor em diversos segmentos. O mundo depende de atuários para tomar decisões sólidas para o futuro. Como? Ao medir e gerenciar riscos, os atuários trazem segurança financeira para os indivíduos e para as organizações.

Em outras palavras, além de sermos conhecidos como profissionais com grande capacidade técnica e de análise; distintos entendedores de banco de dados e planilhas eletrônicas de alta complexidade; responsáveis por cálculos das reservas matemáticas, provisões técnicas ou dos prêmios de seguros; e, que por vezes vivem isolados em um mundo paralelo, onde a matemática é uma das principais fontes de subsistência, é de suma importância que a profissão se volte para uma visão holística do risco, alinhando a boa técnica com uma abordagem mais estratégica, e perpassando, ainda, pela necessidade de melhoria da comunicação, diante do desafio de fazer com que as pessoas compreendam os resultados de nossas complexas análises.

Para tanto, a sinergia com outras áreas de conhecimento é fundamental, pois possibilita o surgimento de novas soluções conjuntas, focadas no cliente e voltadas para processos de inovação, além de possibilitar a disseminação do conhecimento técnico atuarial a outras pessoas.

Como vimos, o trabalho do atuário é fundamental para o desenvolvimento nacional, frente ao seu alto grau de envolvimento em segmentos importantes da economia, uma vez que sua atuação profissional gera reflexos significativos na vida das pessoas, sendo crescente a necessidade de integração com outras ciências, como por exemplo, a contabilidade, a economia, o direito, a matemática e a estatística, a fim de buscar novas soluções para o mercado diante de um cenário de constantes transformações.

 

*Por Mariana Sabino Supervisora Atuarial da Mercer GAMA