Por que não há mais mulheres em cargos de liderança na América Latina?

Por que não há mais mulheres em cargos de liderança na América Latina?

Imprensa

Por que não há mais mulheres em cargos de liderança na América Latina? O que as empresas podem fazer para mudar isso?

  • 16/11/2017
  • Brasil, São Paulo

As mulheres latino-americanas aumentaram sua participação no mercado de trabalho nas últimas décadas e obtiveram mais títulos universitários que os homens

When Women Thrive (Quando as mulheres prosperam) é uma pesquisa realizada em 202 empresas de diversos segmentos em todos os países da América Latina.

São Paulo, 16 de novembro de 2017.- A consultoria Mercer realizou uma nova versão do estudo “When Women Thrive” (Quando as Mulheres Prosperam) com a assessoria da EDGE Certified Foundation, cujo objetivo é verificar questões como diversidade de gênero e empoderamento das mulheres no mundo.

Desta vez, o estudo concentrou-se especificamente na América Latina, visto que, no relatório global de 2016, os números da nossa região foram os mais animadores, os quais projetaram o maior crescimento da representação feminina, estimando-se que esta sairia de 36% em 2015 para 49% em 2025, ou seja, algo muito próximo da igualdade.

Ana Laura Andrade, Líder da prática de Talent Strategy da Mercer Brasil explica: “Nessa nova pesquisa, os números foram atualizados com novas fontes de dados e com um grupo de empresas maior e mais representativo. Dessa forma, após a coleta de informações recentes de mais de 50 organizações, a revisão cuidadosa dos documentos e de publicações acadêmicas de órgãos internacionais e a entrevista com 202 empresas de diversos setores, o relatório traz apontamentos e recomendações para que empresas latinas possam melhorar sua estratégia com a apresentação de recomendações para as empresas latino-americanas para que possam melhorar suas estratégias de diversidade de gênero na região”.

Entre os fatos mais importantes apontados pelo estudo, destacam-se:

  • O progresso da participação feminina no mercado de trabalho está estagnado. Além disso, há um número significativo de mulheres trabalhando em empregos informais.
  • A baixa taxa de participação feminina no mercado de trabalho pode afetar negativamente o potencial crescimento econômico da América Latina.
  • As empresas continuam a pagar menos às mulheres do que aos homens, mantendo persistente e inexplicavelmente uma diferença salarial de gênero na casa dos 17% na região, em média.
  • Apesar do fato de que na região um número significativo de mulheres ocupa ou ocupou posições de liderança política, a representação feminina em quadros executivos de empresas permanece extremamente baixa.

Referindo-se a este último ponto, Ana Laura comenta: “Nossa pesquisa mostra que a maioria das companhias latino-americanas está ainda dando os primeiros passos no que diz respeito à diversidade de gênero; mas, o mais surpreendente é que, embora 64% das organizações entrevistadas entendam que possuir uma força de trabalho mais diversa seja uma necessidade comercial, o porcentual das empresas que estão efetivamente implantando medidas que permitam a realização de uma mudança sustentável na questão é muito inferior a isso”.

Assim como ocorre de maneira geral na América Latina, no nível profissional, as mulheres são 40% da força de trabalho. Além disso, sua presença em níveis gerenciais diminui para 31%. Quando o assunto são os cargos executivos o quadro se agrava, mostrando que apenas 25% dos cargos em conselhos de administração e apenas 16% dos cargos executivos são ocupados por elas.

Quando analisadas as causas dessa sub-representação feminina, pode-se comprovar que, embora haja mais mulheres que homens com título universitário na América Latina, são eles que dominam as carreiras relacionadas às áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

“Por outro lado, a responsabilidade pelos cuidados das crianças e/ou das pessoas mais velhas nas famílias continua atribuída, de modo quase exclusivo, ao universo feminino, fato este que reforça que o chamado “machismo” continua bastante presente na cultura latino-americana, o que cria barreiras visíveis e invisíveis para as mulheres que desejam progredir no mercado de trabalho”, comenta Ana Laura.

Ao mesmo tempo, a pesquisa revelou também que é necessário que o mundo dos negócios possua uma maior diversidade de gênero nas empresas, visto que a presença feminina causa impactos positivos, não somente na produtividade de uma companhia, mas também contribui para o crescimento macroeconômico do país.

Atualmente, as empresas multinacionais na América Latina são aquelas que dão o exemplo ao liderarem a contratação e a promoção de mulheres altamente capacitadas, o que contribui para a mudança das atitudes e da percepção sobre elas no local de trabalho. Essas empresas são as que concedem para as mulheres benefícios como maior flexibilidade de trabalho e igualdade de salário, a fim de reter seus talentos.

Dia 13 de dezembro a Mercer Brasil realiza um Seminário OnLine (webinar) gratuito que abordará os levantamentos dessa pesquisa, com inscrições abertas no link abaixo:

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