Índice Global de Sistemas Previdenciários revela impacto da COVID-19 nas aposentadorias futuras

 

COMUNICADO DE IMPRENSA


  • O Índice Global de Sistemas Previdenciários da Mercer e do CFA Institute compara 39 sistemas de aposentadoria, cobrindo quase dois terços da população mundial
  • A Holanda e a Dinamarca mantêm o primeiro e o segundo lugar, respectivamente, e a cobiçada "nota A"
  • Israel, novo país incluído no índice, substitui Austrália no terceiro lugar
  • O impacto da COVID-19 na provisão de pensões futuras em todo o mundo será negativo devido a contribuições reduzidas, retornos de investimento mais baixos e dívida pública mais alta


O impacto econômico generalizado da COVID-19 aumentou a pressão financeira que os aposentados enfrentam agora e no futuro. Juntamente com o aumento da expectativa de vida e a crescente pressão sobre os recursos públicos para apoiar a saúde e o bem-estar das populações em envelhecimento, a COVID-19 está exacerbando a insegurança na aposentadoria, de acordo com o 12º Índice Global de Sistemas Previdenciários elaborado pela Mercer e o CFA Institute.

O Dr. David Knox, sócio sênior da Mercer e principal autor do estudo, disse que a recessão econômica causada pela crise global de saúde levou à redução das contribuições para as aposentadorias, menores retornos de investimento e maior dívida governamental na maioria dos países. “Inevitavelmente, isso afetará as pensões futuras, o que significa que algumas pessoas terão que trabalhar mais, enquanto outras terão que se contentar com um padrão de vida mais baixo na aposentadoria. É fundamental que os governos reflitam sobre os pontos fortes e fracos de seus sistemas para garantir melhores resultados de longo prazo aos aposentados.”

“Mesmo antes da COVID-19, muitos sistemas públicos e privados de pensão em todo o mundo estavam sob pressão crescente para manter os benefícios”, disse Margaret Franklin, Presidente e CEO do CFA Institute.

“Aprendemos muito sobre a eficácia dos sistemas previdenciários ao longo dos anos e, embora não haja um modelo único que funcione para todos os países, o Índice Global de Sistemas Previdenciários fornece informações comparativas para diferenciar o que é possível e prático em cada mercado. O CFA Institute está entusiasmado em patrocinar o índice deste ano e esperamos expandir seu impacto ainda mais por meio desse esforço colaborativo.”

Impacto da COVID-19 para o futuro dos sistemas de pensão

O impacto da COVID-19 é muito mais amplo do que apenas as implicações para a saúde; há efeitos econômicos de longo prazo que afetam as indústrias, as taxas de juros, o retorno de investimentos e a confiança da comunidade no futuro. Como resultado, a provisão de rendas de aposentadoria adequadas e sustentáveis a longo prazo também mudou.

O nível da dívida pública aumentou em muitos países após a COVID-19. É provável que esse aumento da dívida restrinja a capacidade dos futuros governos de apoiar suas populações mais velhas, seja por meio de pensões ou da prestação de outros serviços, como saúde ou assistência aos idosos.

Para ajudar a aliviar o impacto da COVID-19, os governos implantaram uma ampla gama de respostas para apoiar seus cidadãos e os sistemas previdenciários.

O professor Deep Kapur, Diretor do Monash Centre for Financial Studies (MCFS), disse que muitos governos em todo o mundo responderam à COVID-19 com estímulos fiscais substanciais e os bancos centrais adotaram uma política monetária não convencional. “A perspectiva de retorno de investimentos está silenciada, enquanto a volatilidade está elevada, aumentando os desafios normais da gestão de risco em um portfólio de previdência. “

“Além disso, alguns governos permitiram o acesso temporário a reservas de aposentadoria ou reduziram o nível das taxas de contribuição obrigatória para ajudar as famílias. Esses fatos provavelmente terão um impacto material na adequação, sustentabilidade e integridade dos sistemas de pensão, influenciando assim a evolução do Índice Global de Sistemas Previdenciários nos próximos anos”, acrescentou Kapur.  

Por exemplo, a Austrália permitiu que indivíduos cuja renda havia caído em mais de 20% acessassem até AUD$ 20.000 (aproximadamente US$ 13.000) de seus ativos de pensão, enquanto o Chile permitiu que contribuintes ativos retirassem voluntariamente 10% de seus fundos de pensão individuais até o teto de US$ 5.600.

“É interessante notar que os dois principais sistemas de aposentadoria do Índice Global de Sistemas Previdenciários, Holanda e Dinamarca, não permitiram o acesso antecipado a ativos de pensão, embora os ativos de cada sistema correspondam a mais de 150% do PIB do seu país”, comentou o Dr. Knox.

 

A COVID-19 também aumentou a desigualdade de gênero na provisão de pensões.

“Mesmo antes da COVID-19 desestabilizar as economias em todo o mundo, muitas mulheres enfrentavam a aposentadoria com menos economias do que os homens. Agora, espera-se que essa lacuna aumente ainda mais em muitos sistemas de pensão, particularmente nos setores mais afetados, onde as mulheres representam mais da metade da força de trabalho, como hospitalidade e serviços de alimentação”, acrescentou o Dr. Knox.

Mensurando a probabilidade de que uma estrutura atual seja capaz de fornecer benefícios no futuro, o subíndice de sustentabilidade continua a destacar os pontos fracos de muitos sistemas. A pontuação média de sustentabilidade caiu 1,2 em 2020 devido ao crescimento econômico negativo experimentado pela maioria das economias devido à COVID-19.

 

Destaques

A Holanda teve a maior pontuação geral (82,6) e manteve sua posição no topo da classificação, apesar das reformas significativas nas pensões que ocorreram naquele país. A Tailândia apresentou o índice mais baixo (40,8). 
                

Para cada subíndice, as pontuações mais altas foram obtidas pela Holanda em adequação (81,5), Dinamarca em sustentabilidade (82,6) e Finlândia em integridade (93,5). As pontuações mais baixas foram as do México para adequação (36,5), Itália para sustentabilidade (18,8) e Filipinas para integridade (34,8).

Brasil

Este ano o Brasil caiu três posições em relação a 2019, tendo ficado na 26ª colocação, com uma ligeira piora da nota geral, que passou de 55,9 para 54,5.

Para Felipe Bruno, líder de Previdência da Mercer Brasil, a queda no ranking está relacionada à manutenção de uma nota muito baixa no subíndice sustentabilidade. “Nossa avaliação é que, apesar da reforma previdenciária aprovada em 2019 trazer um alivio fiscal no médio e longo prazos, os efeitos ainda demoram a ser sentidos e os reflexos da pandemia podem atrasar um pouco este processo. O quesito sustentabilidade continua a ser a maior deficiência do nosso sistema, ajudando a manter o Brasil no grupo das piores avaliações com nota de (22,3)”.

 

Índice Global de Sistemas Previdenciários 2020

Posição no ranking

Sistema

Valor geral do índice de 2020

Valores dos subíndices

Adequação

Sustentabilidade

Integridade

1

Holanda

82,6

81,5

79,3

88,9

2

Dinamarca

81,4

79,8

82,6

82,4

3

Israel

74,7

70,7

72,4

84,2

4

Austrália

74,2

66,8

74,6

85,5

5

Finlândia

72,9

71,0

60,5

93,5

6

Suécia

71,2

65,2

72,0

79,8

7

Singapura

71,2

74,1

59,9

82,5

8

Noruega

71,2

73,4

55,1

90,3

9

Canadá

69,3

68,2

64,4

77,8

10

Nova Zelândia

68,9

65,5

62,9

82,9

11

Alemanha

67,3

78,8

44,1

81,4

12

Suíça

67,0

59,5

64,2

83,1

13

Chile

67,0

56,5

70,0

79,6

14

Irlanda

65,0

74,7

45,6

76,5

15

Reino Unido

64,9

59,2

58,0

83,7

16

Bélgica

63,4

74,6

32,4

88,9

17

Hong Kong SAR

61,1

54,5

50,0

87,1

18

EUA

60,3

58,9

62,1

59,9

19

Malásia

60,1

50,1

58,6

78,0

20

França

60,0

78,7

40,9

57,0

21

Colômbia

58,5

62,5

45,5

70,5

22

Espanha

57,7

71,0

27,5

78,5

23

Arábia Saudita

57,5

59,6

51,6

62,4

24

Peru

57,2

59,5

49,2

64,6

25

Polônia

54,7

59,9

40,7

65,9

26

Brasil

54,5

72,6

22,3

70,7

27

África do Sul

52,8

43,0

45,7

78,3

28

Áustria

52,1

64,4

22,1

74,6

29

Itália

51,9

66,7

18,8

74,4

30

Indonésia

51,4

45,7

45,6

68,7

31

Coréia

50,5

48,0

53,4

50,3

32

Japão

48,5

52,9

35,9

59,2

33

China (continente)

47,3

57,4

36,2

46,7

34

 Índia

45,7

38,8

43,1

60,3

35

 México

44,7

36,5

55,8

42,2

36

Filipinas

43,0

38,9

53,4

34,8

37

Turquia

42,7

44,2

24,9

65,3

38

 Argentina

42,5

54,5

27,6

44,4

39

Tailândia

40,8

36,8

40,8

47,3

 

Média

59,7

60,9

50,0

71,3



Sobre o Índice Global de Sistemas Previdenciários da Mercer CFA 

Anteriormente conhecido como Melbourne Mercer Global Pension Index, o Índice Global de Sistemas Previdenciários da Mercer e do CFA Institute compara os sistemas de aposentadoria em todo o mundo, sugerindo possíveis áreas de melhoria que proporcionariam benefícios de pensão mais adequados e sustentáveis.

O Índice Global de Sistemas Previdenciários é um projeto de pesquisa colaborativa patrocinado pelo CFA Institute, a associação global de profissionais de investimentos, em colaboração com o Monash Centre for Financial Studies (MCFS) e a Mercer, líder global na redefinição do mundo do trabalho e na reformulação da aposentadoria e dos resultados de investimentos.

Este ano, o Índice Global de Sistemas Previdenciários compara 39 sistemas de aposentadoria em todo o mundo, cobrindo quase dois terços da população mundial. O índice de 2020 inclui dois novos países - Bélgica e Israel.

O ranking usa a média ponderada dos subíndices de adequação, sustentabilidade e integridade para mensurar cada sistema de aposentadoria em relação a mais de 50 indicadores. O índice de 2020 apresenta novas questões relacionadas aos gastos públicos com pensões, investimentos ESG (ambientais, sociais e de governança) e apoio a cuidadores.

Para mais informações sobre o Global Pension Index do Mercer CFA Institute, clique aqui.

 

Sobre a Mercer

A Mercer oferece aconselhamento e soluções orientadas à tecnologia que ajudam as organizações a atender às necessidades de carreira, previdência, investimentos e saúde de uma força de trabalho em constante mudança. São mais de 25.000 funcionários localizados em 44 países e com atuação em mais de 130. A Mercer é uma subsidiária integral da Marsh & McLennan Companies (NYSE: MMC), a principal empresa global de serviços profissionais nas áreas de risco, estratégia e pessoas. Com mais de 76 mil colegas e receita anual de mais de US$ 17 bilhões, a Marsh & McLennan apoia seus clientes a navegar em um ambiente cada vez mais dinâmico e complexo. Visite: www.mercer.com.br.

 

Sobre o CFA Institute

O CFA Institute é a associação global de profissionais de investimentos que estabelece credenciais e padrão de excelência profissional. A organização é uma defensora do comportamento ético nos mercados de investimentos e uma fonte de conhecimento respeitada na comunidade financeira global. Nosso objetivo é criar um ambiente onde os interesses dos investidores venham em primeiro lugar, os mercados funcionem na sua melhor forma e as economias cresçam. Existem mais de 178.000 titulares de licenças CFA em todo o mundo em 162 mercados. O CFA Institute possui nove escritórios em todo o mundo e 159 afiliadas locais. Para mais informações, visite www.cfainstitute.org ou siga-nos no Twitter em @CFAInstitute e no Facebook.com/CFAInstitute

 

Sobre o Monash Centre for Financial Studies (MCFS)

Um centro de pesquisa baseado na Monash Business School da Monash University, Austrália, o MCFS tem como objetivo trazer o rigor acadêmico para a pesquisa de questões de relevância prática para o setor financeiro. Além disso, por meio de seus programas de engajamento, ele facilita a troca bidirecional de conhecimento entre acadêmicos e profissionais. A agenda de pesquisa em desenvolvimento do Centro é ampla, mas atualmente concentra-se em questões relevantes para a indústria de gestão de ativos, incluindo poupança para aposentadoria, finanças sustentáveis e ruptura tecnológica.