Presidente da Abrapp: “Estamos vivendo uma janela de oportunidades”

Entrevista Presidente da Abrapp: “Estamos vivendo uma grande janela de oportunidades”

Entrevista Presidente da Abrapp: “Estamos vivendo uma grande janela de oportunidades”

  • 02/10/2017
  • Brasil, São Paulo

Às vésperas da abertura do 38º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar Fechada, o Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Marcondes Martins, mantém o otimismo ao acreditar na retomada do crescimento e na inovação dos produtos oferecidos pelo sistema. Com o tema “Previdência Complementar para Todos”, o maior evento do setor do país deve contar com a participação de público ao redor de 3000 pessoas e, neste ano, abre suas portas para empresas, em especial suas áreas de RH, sindicatos e associações de classe.

O Diretor Presidente e os dirigentes do sistema Abrapp, Sindapp, ICSS e UniAbrapp trabalham arduamente juntos aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para ampliar a abrangência do público beneficiado pela Previdência Complementar Fechada. Luís Ricardo elenca e explica, em entrevista exclusiva, as principais iniciativas de novos produtos, Autorregulação, compartilhamento de riscos, PGA por Entidade, fundos setoriais, entre outros. Confira entrevista na íntegra a seguir:

Acontece – A Reforma da Previdência popularizou o tema entre a população em geral. Como as entidades fechadas devem aproveitar esse fenômeno?

Luís Ricardo Marcondes Martins – Estamos vivendo atualmente uma grande janela de oportunidades com a popularização dos debates da Reforma da Previdência e do aumento da longevidade. As pessoas estão cada vez mais conscientes que a Reforma será aprovada para equilibrar o regime geral, elas terão que contribuir mais e que vão receber menos. Então, quem tem possibilidade, está procurando e aderindo aos planos de previdência. Estamos percebendo, por exemplo, um forte aumento da procura pela adesão de planos instituídos neste ano.

Acontece – O mercado de trabalho também vem mudando rapidamente, não é mesmo?

Luís Ricardo – Claro, temos a Reforma Trabalhista que propôs mudanças importantes. E o próprio mercado de trabalho está se modernizando rapidamente. E o nosso sistema também precisa se modernizar e se reinventar. Temos que acompanhar as mudanças da Reforma Trabalhista, com a terceirização, e também a Reforma Tributária. A Previdência Complementar precisa mudar também. É um processo contínuo de mudança, mas para isso precisamos de novos produtos. Temos que propor incentivos tributários para oferecer alternativas para a nova geração.

Acontece – O que a Abrapp está propondo?

Luís Ricardo – A Abrapp vai apresentar um novo produto a partir de um trabalho de nossos especialistas mais flexível, que se encaixe em uma nova geração de trabalhadores. São pessoas da chamada de geração Y, que pensam diferente dos participantes que vêm integrando o sistema nos últimos 30 anos. Esse trabalhador antigo tende a não existir mais. Agora temos um novo perfil. Então, precisamos de produtos para o novo público. Por isso, a Abrapp vai apresentar novos desenhos para este momento de inovação.

Acontece – E as propostas já em andamento, de fundo setorial e ampliação da adesão aos planos até terceiro grau de parentesco e o PGA por Entidade?

Luís Ricardo – Muita coisa já está sendo feita, e somos muito otimistas com as propostas, em especial, o PGA por Entidade que é uma proposta que permitirá que as entidades invistam no crescimento do próprio negócio. Já está em discussão no CNPC e a expectativa é que seja aprovada o mais rápido possível. E o fundo setorial e a ampliação da adesão para parentes de até terceiro grau que são fundamentais para alcançar esse novo perfil de trabalhador. O caminho passa pelo CNPC, que esperamos aprove essas medidas.

Acontece – E como contornar os obstáculos?

Luís Ricardo – Realmente tivemos obstáculos com o fundo setorial e terceiro grau, com o posicionamento jurídico da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, PGFN, que é o órgão de assessoramento jurídico do Ministério da Fazenda. Já conversamos com a PGFN, esclarecemos dúvidas, que é um trabalho importante pois nosso sistema tem características específicas. Achamos que as propostas têm tudo para serem aprovadas o mais rápido possível. Ainda que algumas medidas ainda não tenham sido aprovadas, acreditamos que é uma questão de tempo.

Acontece – Na questão da governança, quais as principais propostas da Abrapp para aperfeiçoar a gestão das entidades?

Luís Ricardo – Uma das principais propostas é o projeto de Autorregulação, que já avançamos para o lançamento do primeiro Código Governança de Investimentos. O código teve grande receptividade entre as entidades. É um ponto central do planejamento estratégico da Abrapp. É visto como fundamental pela Previc, algo muito importante para avançar com a transparência e a credibilidade do sistema. E agora estamos avançando mais com o lançamento do Selo de Autorregulação, que será apresentado já na abertura do 38 Congresso. O Selo surge dentro de uma perspectiva de buscar o aperfeiçoamento e blindagem cada vez maiores na governança das entidades nos processos de investimentos.

Acontece – Quem irá receber o primeiro Selo de Autorregulação?

Luís Ricardo – A Centrus receberá o primeiro Selo de Autorregulação. A entidade do Banco Central é uma referência do sistema, com alto padrão de governança, com lideranças no seu corpo de dirigentes, em especial seu presidente, o Altamir (Lopes), que é uma forte liderança do sistema. Depois de passar por análise de nosso conselho de autorregulação, foi verificado que a Centrus preenche todos os requisitos. Cabe ressaltar que esse conselho é composto por representantes de outras entidades como Anbima, ABVCAP, B3 e IBGC que conferem maior transparência e credibilidade para o processo.

Acontece – Qual a expectativa de ampliar o número de participantes do sistema fechado para os próximos dois anos, ou seja, até final de 2018?

Luís Ricardo – Temos realizado um trabalho árduo junto aos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil, continuamos buscando realizar as metas. São metas que o conselho deliberativo traça para a diretoria, acreditamos que vamos atingi-las. As pessoas estão engajadas para incentivar o crescimento do sistema. Citaria em especial o secretário do Ministério da Fazenda Eduardo Guardia, que se preocupa com o incentivo à formação de poupança de longo prazo. O próprio Secretário da Previdência Marcelo Caetano também vem incentivando o crescimento da previdência complementar para os servidores públicos. O Paulo César (dos Santos), subsecretário de Previdência Complementar, o Fábio Coelho, diretor superintendente substituto da Previc, assim como a diretoria da autarquia.

Acontece – A Abrapp tem trabalhado também na questão do compartilhamento de risco. Comente qual a importância de se avançar também nessa área junto às seguradoras?

Luís Ricardo – É verdade estamos trabalhando nessa questão, que já existe desde 2004 para os planos instituídos e que mais recentemente, as novas resoluções abriram a possibilidade de compartilhamento de risco de sobrevida para todas as entidades. Não faz parte do viés das entidades fechadas correrem riscos excessivos. Desde o ponto de vista da Supervisão Baseada em Risco, faz sentido compartilhar o risco com uma seguradora, seguindo modelos consagrados do cenário internacional.

Acontece – Como o 38º Congresso pretende reforçar esse lema que é a “Previdência Complementar para Todos”?

Luís Ricardo – É importante ressaltar que estamos levando para o Congresso diversas lideranças e formadores de opinião. Com isso, queremos incentivar o crescimento da poupança de longo prazo. Tenho dito que a previdência fechada não é problema, ao contrário, faz parte da solução para o desenvolvimento do país. Então, podemos ajudar ainda mais o desenvolvimento do país. Como somos o principal motor da poupança interna de longo prazo capaz de investir nos projetos que o país tanto precisa. Então, temos que incentivar cada vez mais o crescimento do nosso sistema como parte da solução dos problemas de nosso país.

* As notícias do Acontece serão publicadas em tempo real entre 2 e 6 de outubro no Hotsite do 38º CPCF – www.cpcf.com.br – clicar na aba “notícias”. O formato normal do Acontece volta a circular por e-mail a partir de 9 de outubro

 

Fonte: cpcf.com.br

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