Índice Global de Sistemas Previdenciários revela forte correlação entre dívida familiar e ativos previdenciários

Índice Global de Sistemas Previdenciários revela forte correlação entre dívida familiar e ativos previdenciários - Mercer

Índice Global de Sistemas Previdenciários revela forte correlação entre dívida familiar e ativos previdenciários

  • 21 de outubro 2019
  • Brasil, São Paulo
  • Em sua 11ª edição, o Índice Global de Sistemas Previdenciários da Mercer Melbourne (Melbourne Mercer Global Pension Index - MMGPI), comparando 37 sistemas previdenciários, abrange quase dois terços da população mundial
  • Brasil cai da 21ª para 23ª posição
  • Holanda e Dinamarca mantêm o primeiro e o segundo lugar, respectivamente

Existe uma forte correlação entre os níveis de ativos previdenciários e a dívida líquida das famílias, com o crescimento da dívida familiar nas economias desenvolvidas e em crescimento, acompanhando o crescimento dos ativos mantidos pelos fundos de pensão, de acordo com o Melbourne Mercer Global Pension Index (MMGPI) de 2019.

O MMGPI, apoiado pelo Governo Vitoriano da Austrália, é um projeto de pesquisa colaborativo entre o Centro Monash de Estudos Financeiros (Monash Centre for Financial Studies - MCFS) - um centro de pesquisas baseado na Monash Business School da Monash University em Melbourne - e a empresa de serviços profissionais Mercer.

O relatório é o primeiro estudo internacional desse tipo a documentar o "efeito patrimônio" - ou seja, a tendência de aumento dos gastos com o aumento do patrimônio - em relação aos ativos de aposentadoria. Os dados do MMGPI sugerem que, à medida que os ativos previdenciários aumentam, os indivíduos se sentem mais ricos e, portanto, mais propensos a solicitarem empréstimos.

O Dr. David Knox, consultor sênior da Mercer e autor do estudo, disse que o crescimento dos ativos mantidos pelos fundos de pensão significa que as famílias se sentem mais seguras financeiramente em obter renda futura de suas economias, permitindo-lhes solicitar empréstimos antes da aposentadoria para melhorar os padrões de vida atuais e futuros.

“À medida que o patrimônio de um indivíduo cresce, seja na propriedade de uma casa, em carteiras de investimentos ou em suas poupanças para aposentadoria, o mesmo ocorre com o conforto em acumular dívidas. As evidências sugerem em nível global que, para cada dólar extra que uma pessoa possui em ativos de previdência, sua dívida líquida familiar aumenta em pouco menos de 50 centavos”, disse o Dr. Knox.

O Índice compara 37 sistemas previdenciários em todo o mundo e cobre quase dois terços da população mundial. Ele destaca o amplo espectro e diversidade dos sistemas de pensões globais, demonstrando que até os melhores sistemas do mundo têm deficiências. O Índice de 2019 inclui três novos países - Filipinas, Tailândia e Turquia.

Embora cada sistema previdenciário tenha um conjunto único de circunstâncias, o relatório deixa claro que há melhorias comuns que podem ser feitas nos desafios que todas as regiões estão enfrentando.

“Os sistemas em todo o mundo estão enfrentando uma expectativa de vida sem precedentes e uma pressão crescente sobre os recursos públicos para apoiar a saúde e o bem-estar dos cidadãos mais velhos. É imperativo que os formuladores de políticas reflitam sobre os pontos fortes e fracos de seus sistemas para garantir resultados mais fortes a longo prazo para os aposentados do futuro", disse o Dr. Knox.

O Índice utiliza a média ponderada dos subíndices de adequação, sustentabilidade e integridade para medir cada sistema previdenciário em relação a mais de 40 indicadores. O Índice de 2019 adota uma nova abordagem para calcular a taxa líquida de reposição, ou seja, o nível de renda de aposentadoria fornecido para substituir o nível anterior de rendimentos do trabalho. Embora a maioria dos relatórios anteriores do Índice tenha calculado uma taxa líquida de reposição com base no rendimento mediano, o relatório atual usa vários níveis de renda com base nos dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Organisation for Economic Co-operation and Development) para representar um grupo mais amplo de aposentados.

“Agora, no seu décimo primeiro ano, o Índice Global de Sistemas Previdenciários da Mercer Melbourne é uma grande fonte de dados sobre sistemas de pensão em todo o mundo, e a alta reputação internacional desse relatório é uma prova da reputação de Melbourne como um centro global de expertise em pesquisa, inovação e finanças do setor”, afirmou o Ministro do Trabalho, Inovação e Comércio, Martin Pakula.

O Índice em números

A Holanda teve a maior pontuação geral (81,0) e ocupou consistentemente a primeira ou a segunda posição em 10 dos 11 últimos relatórios do MMGPI. A Tailândia apresentou o menor valor (39,4).

Para cada subíndice, as pontuações mais altas foram obtidas pela Irlanda em adequação (81,5), Dinamarca em sustentabilidade (82,0) e Finlândia em integridade (92,3). As pontuações mais baixas foram as da Tailândia em adequação (35,8), Itália em sustentabilidade (19,0) e Filipinas em integridade (34,7).

Brasil

Este ano o Brasil caiu duas posições em relação a 2018, tendo ficado na 23ª colocação, com uma ligeira piora da nota geral, que passou de 56,5 para 55,9.

Para Felipe Bruno, líder de Previdência da Mercer Brasil,, a queda no ranking está mais relacionada à melhora de dois países, Hong Kong e Polônia, do que à perda de pontuação nos índices de integridade, adequação e sustentabilidade. “Nossa avaliação é que o Brasil ficou estagnado no ranking. Com a aprovação da reforma da previdência, o Brasil deve melhorar substancialmente no quesito sustentabilidade, que é sua maior deficiência e está entre os mais mal avaliados do mundo (27,7)”.

Sustentabilidade ainda é uma fraqueza em um futuro de envelhecimento e contribuição definida

Ao medir a probabilidade de um sistema atual ser capaz de fornecer benefícios no futuro, o subíndice sustentabilidade continua a destacar a fraqueza de muitos sistemas.

Na América do Sul, embora o Chile atinja 71,7 neste subíndice, o Brasil e a Argentina obtiveram 27,7 e 31,9, respectivamente. Na Ásia, enquanto Cingapura atingiu 59,7, o Japão pontuou apenas 32,2.

No entanto, esse problema não se restringe às economias em desenvolvimento. Muitas economias europeias enfrentam pressões semelhantes. Embora a Dinamarca alcance a pontuação mais alta para o subíndice de sustentabilidade com 82,0, a Itália e a Áustria pontuaram apenas 19,0 e 22,9, respectivamente.

De acordo com João Morais, líder de Wealth da Mercer Brasil, “a reforma da previdência será um divisor de águas no País. A melhora na sustentabilidade do sistema tem potencial para posicionar o Brasil na metade melhor avaliada dos sistemas globais”.

Embora seja difícil mudar algumas determinações que contribuem para a pontuação de sustentabilidade, outras podem ser influenciadas para fortalecer a eficácia de um sistema a longo prazo. As recomendações incluem incentivar ou exigir um nível maior de economia para o futuro, aumentar gradualmente a idade da aposentadoria e permitir ou convencer as pessoas a trabalhar por mais tempo.

"Embora alguns sistemas ainda estejam ancorados por esquemas de benefícios definidos que podem praticar estratégias de investimentos baseadas em responsabilidade, os planos de contribuição definida estão desempenhando papéis cada vez mais importantes no acúmulo de poupanças para a aposentadoria dos indivíduos. É essencial maximizar o retorno do investimento ajustado ao risco para planos de contribuição definida, diversificando os ativos mantidos por um fundo de pensão”, disse o professor Deep Kapur, Diretor do MCFS.

"É essencial que a idade da aposentadoria ou previdência pública seja reconsiderada de acordo com o aumento da longevidade - uma medida que alguns governos já tomaram - para reduzir os custos dos benefícios previdenciários financiados publicamente", conclui Kapur.

Índice Global de Sistemas Previdenciários da Mercer Melbourne 2019


Sobre o Monash Centre for Financial Studies

Um centro de pesquisa baseado na Monash Business School, da Monash University, na Austrália, o MCFS visa trazer rigor acadêmico para a pesquisa de questões de relevância prática para o setor financeiro. Além disso, por meio de seus programas de engajamento, facilita o intercâmbio de conhecimento entre acadêmicos e profissionais. A agenda de pesquisas em desenvolvimento do Centro é ampla, mas atualmente concentra-se em questões relevantes para o setor de gestão de ativos, incluindo poupança para aposentadoria, financiamento sustentável e disrupção tecnológica. 

 

Sobre a Mercer

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